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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O BELO SORRISO DA CLARA MANHÃ DE CLARINHA

O Outono se encaminhava para a metade da estação e aquele friozinho que eu tanto gosto já me fazia sentir aquela vontade de estar ao pé de uma lareira com uma caneca de chocolate quente em uma casa aconchegante, mas eu me encontrava só, perdido em muitos pensamentos sentado no banco de uma linda praça de uma tranqüila cidadezinha litorânea. Embora eu estivesse á beira mar, o movimento era bem pouco na praça, na orla marítima e dentro do mar por causa do friozinho que se fazia presente. A praça era bem cuidada e estava com canteiros bonitos recheados de belas flores que estranhamente pareciam estar se adiantando á primavera e que traziam estampadas em suas pétalas, cores vivas e variadas que faziam muito bem aos meus olhos. E eu fiquei ali observando toda aquela generosa natureza criada por Deus que nos ofertou a fim de que elas, as flores, enfeitassem nossas vidas e trouxessem mais perfume aos nossos ambientes não só internos como externos. Na praça também havia frondosas árvores frutíferas que alimentavam centenas de aves que se saciavam com os frutos que pendiam nos galhos e ao mesmo tempo recolhiam o alimento necessário para suas crias que também estavam se abrigando em ninhos alojados nos galhos dessas árvores lindas. A sincronia da natureza em comunhão com o tempo ameno e fresco fazia com que meu pensamento se distraísse um pouco, tornando minha mente mais tranqüila e serena. E assim, por muito tempo fiquei olhando fixamente as árvores, os pássaros e o movimento no entorno dessa bela praça que conseguia me entreter sobre maneira e isso fez com que o tempo passasse de uma forma tão rápida que quando eu me dei conta, a noite já chegava, trazendo as primeiras estrelas. Então me deitei no banco da praça, fixei meus olhos no céu e comecei a contar uma por uma das estrelas do céu, das menores as maiores, das menos brilhantes as mais reluzentes.
Quando eu atingia a marca de 200 estrelas percebo que alguém está ao lado de meu banco em pé. É uma linda menina, morena, que trazia nos lábios um belo sorriso natural e que me olhava com muito carinho. Levantei-me rapidamente me desculpando por ali estar enquanto ela poderia estar querendo sentar, mas ela fazendo um gesto para que eu não me levantasse me disse:
- Fique á vontade meu querido, faz tempo que te observo e percebo que você está viajando em seus pensamentos de uma forma tão compenetrada que não quis te incomodar.
-Não, você não incomoda não minha linda, sente-se e vamos conversar um pouco. Eu estava mesmo querendo conversar...
- Que bom, também adoro conversar e me parece que você não está muito bem, por isso, ao invés de eu me sentar com você, eu o convido para que venha comigo andar pela areia da praia e então conversaremos.
- Boa idéia eu disse, vamos sim!
Então adentramos a areia da praia, fomos até aonde a onda terminava de espalhar a água do mar, tiramos nossos calçados e começamos a andar bem devagar, a principio em silêncio ouvindo o som do quebrar das ondas. Foi quando essa linda menina pegou em minha mão e caminhando de mãos dadas comigo me perguntou:
- O que te aflige meu amigo? Sua expressão me parece um pouco triste, séria. Não gostaria de ver essa expressão em seu semblante. Você gostaria de se abrir comigo?
- Ah menina, eu disse, estou bem... Minha expressão é esta mesmo sabe? Eu não sei sorrir...
- Como não? Todos nós sabemos sorrir de alguma maneira meu lindo!
- Eu não sei não menina. Vejo as fotos de muitas pessoas com aqueles lindos sorrisos e eu me entristeço porque embora tente, não consigo esboçar o menor sorriso, mesmo um sorriso plástico, falso, amarelo.
- Ah o que é isso meu lindo. Não diga isso! Deixa eu te contar uma coisa. Vamos nos sentar aqui na beira mar?
- Sim, vamos menina...
Sentamos na areia da praia num lugar aonde as ondas quase chegavam aos nossos pés e então a linda menina virou-se para mim com um olhar doce e terno e começou a me contar uma história:
- Outro dia, uma grande amiga me falou: Olha, gostaria muito de poder abrir-lhe meu maior sorriso, mas infelizmente não posso, porque estou com uma pequena falha em meus dentes e tenho vergonha. Então eu lhe disse: Deixe disso amiga, qual é o problema? Fique tranqüila! E disse a verdade a ela, afinal, para se ter e dar um belo sorriso não é preciso que tenhamos uma boa dentição, e sim, que coloquemos para fora os nossos melhores sentimentos em relação á pessoa a quem dirigimos nossos sorrisos. Um belo sorriso, sempre traz em seu gesto, amor, carinho, amizade, força, vibração positiva, amparo e principalmente sinceridade. Quando dirigimos nosso melhor sorriso a alguém, mostramos a essa pessoa que estamos sendo afetuosos estamos sendo sinceros com ela, estamos dizendo que a amamos, que a compreendemos, estamos dizendo que achamos que ela pode seguir em frente, que damos apoio a ela em algo, e enfim, estamos dizendo com os lábios que ela pode confiar plenamente em nós sempre. Mas aí alguém poderia me perguntar meu lindo: Mas e os sorrisos irônicos e falsos, como é que ficam nessa? Respondo facilmente: Não ficam em lugar nenhum, pois os sorrisos falsos, irônicos ou plásticos, se desfazem em questão de segundos, porque não se sustentam, são frágeis e voláteis, ao contrário dos verdadeiros sorrisos que ficam para sempre estampados na face de nosso espírito, ornamentando um rosto angelical que a eternidade tratará de perpetuar para todo o sempre e que será sempre belo. Sabe, um dia um amigo me contou uma história (fictícia, é claro) de um ateu convicto que viveu a sua vida a fazer a caridade para com seus semelhantes sem nunca ter acreditado em Deus. Quando morreu, foi para o céu e lá foi recepcionado por anjos que o carregaram e o passaram na frente de muitos beatos, que viveram a vida terrena inteira rezando a Deus, sem nunca ter dado um donativo sequer para seu semelhante.
Então, relembrando essa história, meu lindo, me pus a pensar: Quantos desdentados por aí não abrem seus melhores sorrisos para seus semelhantes, ao contrário de muitos portadores de dentes de ouro que fecham ou viram suas caras para nós não é mesmo? Por isso, digo não só a você, meu lindo amigo, mas digo sempre a todos os que eu encontrar por onde eu passar: Abram sempre seus melhores sorrisos a todos os que cruzarem vossos caminhos, mesmo que vocês não tenham um só dente na boca e extraiam esses sorrisos de vossos corações, e antes de abri-los, mentalizem o seguinte: Amigo, abro para você o meu melhor sorriso, extraído de meu coração puro e generoso e ele virá recheado com as minhas melhores vibrações e intenções, extraídas por sua vez de minha mente. E eu dirijo a você esse sorriso, como prova de amor, sinceridade, confiança e amizade. Entendeu meu amigo? Captou a essência do que eu disse?
- Sim, captei sim menina... Que lindo isso! Nossa, estou radiante com o que você disse eu disse. Isso me fez um bem danado, eu disse, olhando bem nos olhos dela.
Aí com aquele sorriso angelical e o olhar mais doce do mundo ela disse:
- Então você já sabe meu lindo! Ao cruzar comigo, quero o seu melhor sorriso e desejo que este sorriso possa se perpetuar em seu rosto, como um belo quadro eterno e valioso de um grande pintor. Que esse seu sorriso possa ser um exemplo para todos e que ele possa contagiar os que estiverem ao seu lado tristes e cabisbaixos. Saiba que seu sorriso tem uma força imensa e traz embutido nele uma grande concentração de amor que você não deverá guardar para si, mas externar e distribuir aos seus semelhantes num grande gesto de caridade. Sorria para mim agora, vamos ver esse belo sorriso!
Depois de tudo o que ela me disse, me virei novamente e olhando bem em seus olhos, abri imediatamente um grande e belo sorriso que nunca mais se apagou de meu rosto. Ao ver meu sorriso ela disse carinhosamente para mim:
- Agora deite na areia, olhe para o céu e continue a contar suas estrelas, pois vai enxergá-las de forma diferente, pode acreditar. Em que numero você tinha parado mesmo? Continue a admirar toda a natureza que eu vou indo agora. Preciso partir, mas você ficará bem, tenho certeza.
Então eu a abracei ternamente agradecendo a ela não com a voz, mas com o coração ao mesmo tempo em que ela, segurando com suas duas mãos meu rosto, beijou-me a fronte num gesto lindo de amizade. Enquanto ela se levantava a começava a se distanciar de mim, me deitei feliz da vida para recomeçar a contar minhas cintilantes estrelinhas, mas nesse momento me deu um estalo e eu me levantei falando para ela:
- Hei menina linda, você que me ajudou tanto e a quem, tanto agradeço, me esqueci de perguntar: Qual é o seu nome meu anjo?
Aí ela parou de caminhar, virou-se para mim e com aquele terno sorriso me disse mansamente:
- Quer saber meu nome meu lindo?
Eu disse: - Sim, eu quero linda!
Ela então se virou novamente, recomeçou a andar e me disse enquanto seguia enfrente:
- Meu nome? Meu nome é Clara, mas pode me chamar de Clarinha meu lindo...
Disse isso e se afastou, sumindo na escuridão das areias da praia. Eu por minha vez fiquei deitado na areia da praia feliz da vida contando milhões de estrelas até esperar o dia clarear, trazendo o raiar de uma manhã que eu batizei de “A Clara manhã de Clarinha”.

Este texto é dedicado a uma linda e amada amada amiga que tive o prazer de conhecer no Orkut e que saiu da tela do computador para se instalar em meu coração. Beijos minha amiga, obrigado pelo seu carinho de sempre.

Um comentário:

Moniquinha disse...

Zé meu amigo querido, esse seu carinho com os amigos é emocionante. Vou sempre pedir ao papai do céu que te proteja, e te mantenha assim, com um coração grandão, que nem vc!
Te adoro viu, grandão???
beijos!