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sábado, 14 de janeiro de 2012



QUEM PERPETUA A MEMÓRIA E A OBRA DE RAUL SEIXAS?


Foto: Tiago Queiroz/AE


Vira e mexe vejo aqui e ali, discussões acerca de empecilhos que brecam o lançamento de material do Raul, DVDs, Cds, Livros etc. Muitos colocam a culpa nas herdeiras que estariam impedindo os lançamentos em virtude de quererem muita grana pra liberar as obras (no caso de CDs e DVDs) e por não permitirem que sejam citadas no caso da publicação de livros. São suposições apenas pois nem eu e nem ninguém pode afirmar categoricamente o que rola de fato. Material inédito há e se não é lançado, há um motivo que não sabemos verdadeiramente qual é.
Em face disso, já vi comentários informais de pessoas que me disseram: Se depender das herdeiras a memória do Raul e a obra dele poderão ir pro limbo. Ta aí, ou taí, uma outra afirmação que não é verdadeira. Quem mantém viva a memória e a obra de Raul Santos Seixas? As herdeiras? O Raul Rock Club através de seu presidente Sylvio Passos? A resposta que eu tenho pra dar é: Quem mantém viva a obra e a memória de Raul Santos Seixas são os FÃS de Raul Seixas, que irão perpetuar sua obra eternamente. Sim, esses mesmos fãs que no meu ponto de vista são muitas vezes injustiçados e não recebem (em muitos casos) o reconhecimento que deveriam receber. Fãs esses que tem um extremo amor pelo Raul, que não medem esforços para ver sua obra cada vez mais acesa e viva. Fãs que se reúnem espontaneamente todo dia 21 de Agosto para homenagear dom Raulzito, sem apoio de ninguém. A Passeata Raulseixistika se “auto organiza” como diz um amigo meu, graças ao extremo amor que todos tem por Raul. Passeata essa que já foi chamada mais de uma vez de “Palhasseata” e fãs que já receberam a pecha pejorativa de “Raulchatistas” ou de “Raulxiítas”, mas que, independente do apelido que lhes derem, seguirão eternamente empunhando a bandeira Raulseixista por muitos e muitos anos, aja visto que nas passeatas, posso ver fãs mirins de Raul Seixas, que herdaram o amor pelo Maluco Beleza de seus pais, tios etc e que, com certeza, herdaram um amor por esse moleque maravilhoso que nós tanto amamos e que levarão dentro de si para entregarem ás próximas gerações como seus pais o fizeram. Até artistas que fazem covers de Raul Seixas, levando e divulgando suas canções e sua obra são desprezados e menosprezados por gente importante. 
 Foto: Tiago Queiroz/AE

 Sem os Fãs, as herdeiras não seriam nada, sem os fãs o Raul Rock Club não existiria ou seria um baú empoeirado de objetos pessoais do Raul. E sei do que falo, pois, dirigindo o Fã Clube do Zé Geraldo há 22 anos, devo tudo ao próprio Zé Geraldo, mas também aos fãs do Zé, os quais respeito e muito. Por isso digo que, nós fãs e fanáticos, (ou chatos e xiitas) é que temos carregado com muito prazer e orgulho o estandarte que leva estampada a figura eterna daquele que sempre será eterno em nossos corações. O dia em que, nós fãs, tivermos o devido reconhecimento e formos respeitados, a memória e a obra de Raul, certamente poderá alçar vôos ainda mais longínquos. Mas se tal reconhecimento não vier, paciência, nós não dependemos disso para amarmos aquele que como diz o Zé Geraldo, chegou ao coração de todos, sendo amado das favelas aos grandes casarões. Viva Raul Santos Seixas!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

VIOLÊNCIA NA TV E NA INTERNET



Existia em São Paulo um Jornal diário que se chamava "Notícias Populares". Esse jornal circulou até 2.001 se não me engano. Na década de 70, mais precisamente no final dela, um documentário foi lançado no Brasil e ganhou destaque nas locadoras. Esse documentário chama-se "Faces da Morte" e era alugado com restrições e várias recomendações na contracapa.  Mas o que há de comum entre o NP e Faces da Morte? A resposta é: Cenas de violência explícita! O Notícias Populares exibiu inúmeras vezes cadáveres, pessoas mutiladas, aberrações etc e o filme Faces da Morte, é uma compilação de cenas reais de morte e/ou de violência explícita a saber: Execuções, suicídios, guerras, torturas e ao que parece até estupros. Mas era o que tinha. Era só optar por não ler um e não assistir o outro e pronto, tava resolvido o problema!

Hoje, tudo mudou! O que antes era restrito a um jornal diário e a uma série de fitas VHS, hoje explode nas TVs de todo o país e na internet em cenas mostradas á exaustão, com detalhes e slow motion. Impressiono-me sobremaneira com isso e fico aqui pensando com os meus botões: Perdemos o senso? Em nome da audiência os órgãos de imprensa estão se permitindo coisas que há 20 anos era impensável de se mostrar? Até emissoras ditas "politicamente corretas" mostraram recentemente e repetidamente as lamentáveis cenas daquela "enfermeira" matando o pobre cachorrinho a pancadas, sem se preocupar com quem estaria ali assistindo naquele horário ou mostraram sem cortes imagens do ditador da Líbia todo detonado.

Outra dúvida que me assalta o pensamento é: Será que essa violência toda mostrada continuamente sempre existiu e não era veiculada ou a violência está ganhando níveis assustadores? A tecnologia de certa maneira tem contribuído para que mais flagrantes sejam capturados e essa mesma tecnologia que captura essas barbaridades também ajuda a capturar os autores dessas atrocidades, mas eu pergunto: Precisa mostrar tudo com detalhes? Não seria melhor contar a história e tirar do vídeo apenas a imagem frisada daquele(s) que se quer(em) prender?

Outro fenômeno paralelo e inexplicável vem ocorrendo no Facebook, onde pessoas, sob o pretexto de denunciar e protestar, postam e compartilham fotos escabrosas de atrocidades as mais diversas, fetos destroçados, animais mortos etc e tal. Pra que?
Isso me assusta de verdade porque se tudo caminhar como tem caminhado, logo logo veremos na TV e na internet em breve, imagens de crianças sendo abusadas sexualmente sob o pretexto de se protestar contra o abuso infantil ou mulheres sendo estupradas para se protestar contra o estupro. Lamentável isso em minha opinião!

Pra finalizar pergunto: Será que essa violência toda sempre esteve aí e nós não a enxergávamos ou ela cresceu assustadoramente? Quem sabe? O que temo é que isso se espalhe ainda mais na TV. Oxalá eu esteja errado em meus temores, mas que precisamos dar um basta nisso, ah, isso precisamos!




quinta-feira, 16 de junho de 2011

AFINAL, QUEM É O AUTOR??

Uma das coisas que mais me deixam contrariado é quando recebo por e-mail um texto puro ou inserido em um Power Point ou vídeo sem a autoria ou quando no final, aonde deveria ter o nome do autor está escrito: “Autor Desconhecido”. Sou chato nesse ponto e jamais repasso textos sem autoria, independente do que seja. Custa colocar a autoria? Se a pessoa vai fazer um PPs ou um vídeo e não sabe o nome do autor, basta procurar no Google que encontrará com certeza.

Além dos textos repassados sem autoria ou com autores desconhecidos, existem os que são repassados com autoria errada. Existem inúmeros textos e poesias atribuídos a Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Luis Fernando Veríssimo entre outros e que não são deles. Alguém recebe o texto sem autoria, acha que parece ser de um “autor tal” e coloca a autoria de forma errônea.

Um exemplo (para citar só um) é um texto que circula na internet com o título “Nada como o Tempo”, belo texto/poema que começa com a frase: Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.” E que fecha com essa frase: "O segredo é não correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até você". Bom, esse texto/poema é atribuído erroneamente a Mário Quintana, mas, pesquisando na internet descobri uma página onde o poema é atribuído a Katia Cruz. Já a frase final, ninguém sabe de quem seja, ao menos não encontrei em lugar nenhum.

Bom, mas existem casos também (que eu considero graves) em que poemas são adaptados ou em que deles são retirados trechos para serem usados sem que o autor original sequer seja citado. Um exemplo do que eu falo é a música “Amor pra recomeçar” que é cantada pelo Frejat, e cuja letra é atribuída a uma “triceria”: Frejat, Mauricio Barros e Mauro Sta Cecília. Aí está a letra e o vídeo com a canção:

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...

Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Pois bem, essa canção é extraída do poema de um Jornalista Brasileiro chamado Sérgio Jockymann e se chama originariamente “Os Votos” e não achei em “Amor pra Recomeçar’ do Frejat uma só citação a ele. Segue abaixo o poema original:

Sérgio Jockyman - Os Votos

Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.

E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.

E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.

E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprete a respeito de suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil, mas razoavelmente útil.

E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.

E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.

Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.

E que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.

E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.

Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.

Porque assim você se sentirá bom por nada.

Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.

Só para que fique claro quem é o dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.

Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor*.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo por fim que,
sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.

E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.

E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar”

Este poema foi publicado pelo jornalista no Jornal folha da Tarde de Porto Alegre em 1.978.

Agora eu pergunto: Quando é que os autores serão respeitados? Quando é que as pessoas se conscientizarão da necessidade de divulgar o nome daquele que nos oferece essas preciosidades literárias e que nos emocionam sobremaneira? Fica aqui meu protesto e meu pedido aos amigos para que não repassem textos na internet que não contenham a autoria dos mesmos e se tiver a autoria e vocês desconfiarem dela, pesquisem para que o verdadeiro autor seja conhecido e tenha o reconhecimento devido.

Créditos de pesquisa:

Blog do Muneo

Blog do Emílio Pacheco


segunda-feira, 13 de junho de 2011


É HORA DE TIRAR AS TEIAS DE ARANHA DA MENTE E DESTE ESPAÇO!

Por um bom tempo me afastei deste espaço que criei para extravasar meus sentimentos e confesso que sempre me fez falta postar aqui. Mas lamentavelmente, por razões que eu mesmo desconheço, acabei deixando de lado este espaço que acabou criando teias de aranha. Mas hoje sinto que não deveria ter feito isso, uma vez que quase nada do que fiz esse tempo todo foi e é tão importante quanto este blog que já me deu muitas alegrias e fez com que eu desabafasse e tirasse de meu interior as coisas que sempre me oprimiram.

Estou portanto, tirando as teias de aranha deste blog e antecipadamente agradeço de coração aos que postaram seus comentários aqui e que acabaram ficando sem respostas. Na medida do possível vou responder a todos com o mesmo carinho que sempre respondi aos belos comentários que sempre recebi.

Aproveito também para dizer que usarei este espaço para fazer comentários sobre alguns assuntos que foram e são destaques na mídia, assim como, sempre que possível, postarei poesias, crônicas , músicas, vídeos etc.

Vamos em frente que atrás... Será que vem alguém atrás? Creio que sim...

domingo, 4 de outubro de 2009



GRACIAS A LAVIDA, QUE ME HA DADO TANTO...



E a vida deu tanto a ela, que por infinitas gerações o conjunto de sua obra será reverenciado e sua música será executada nas rádios de todo o mundo eternamente.
De quem me refiro? De Mercedes Sosa, fantástica Cantora Argentina (com “C” maiúsculo) que cada dia encanta mais pessoas que tem contato com suas canções e com sua voz marcante e única. Era conhecida como a voz dos sem voz por cantar muitas canções de protesto e durante sua trajetória artística cantou e gravou com uma infinidade de artistas de sua pátria e de artistas internacionais. Foi banida de seu próprio país durante a ditadura Argentina e teve que se exilar no exterior, assim como fizeram muitos outros artistas que cantavam aquilo que os militares não queriam ouvir.
Nunca assisti a um show de Mercedes Sosa, embora ela tenha vindo ao Brasil algumas vezes, mas ela é uma de minhas três cantoras preferidas de todos os tempos. As outras duas são: Dianna Pequeno e Joan Baez. Aliás, esta última também gravou “Gracias a la vida” e teve o privilégio de dividir o palco com ela, num dueto memorável que não me canso em ver em vídeo e que reproduzo abaixo:



É, mas se a vida deu tanto a Mercedes Sosa, Deus parece ter ainda muito o que dar a ela, tanto que a chamou para integrar o coral celestial neste dia 04 de Outubro de 2.009. Mercedes deixa uma lacuna na música mundial que dificilmente será preenchida por outro artista porque ela sempre foi única em sua arte e insubstituível, impar no que fez durante a sua existência terrena. Muito se fala de “Divas”, mas muitas são taxadas de divas sem o serem de fato. Mercedes Sosa sim é uma diva de verdade. De grandes artistas como ela, não temos muito que falar, apenas a agradecer por termos podido ter conhecido uma criatura maravilhosa que com certeza não sairá de nossos corações e de nossas mentes. Uma cantora que brilhará para sempre, agora Assim termino este breve texto, com muita emoção dizendo:
Gracias a la vida que me dio la oportunidad de conocer Mercedes Sosa!



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PODE UM ARTISTA OU PERSONALIDADE MORRER DUAS VEZES?
SE DEPENDER DE ALGUMAS PESSOAS, SIM!


A história de vida e de carreira de certas personalidades é repleta de coisas boas, outras nem tanto e outras ruins, porém são as marcas que essas pessoas deixaram na terra quando por aqui passaram. Quando essas personalidades partem dessa para melhor, algumas almas bem intencionadas se mobilizam para tornar essas histórias imortalizadas e acessíveis para gerações posteriores que poderão ficar ávidas em saber de sua trajetória a título de mera pesquisa, por curiosidade ou porque se tornam fãs dessas personalidades e querem saber mais do ídolo que passaram a cultuar...

Estas histórias podem advir de uma carreira literária, política, jornalística ou musical e além de serem recheadas de fatos, contém outros personagens, que eu chamaria de “atores coadjuvantes”. E é aí que os problemas começam, porque são esses atores coadjuvantes que começam a querer entornar o caldo de todos aqueles que desejam perpetuar e tornar públicas as histórias de artistas e personalidades, ou lançar e relançar livros, vídeos, filmes ou cds e dvds, como se quisessem enterrar de vez, páginas e páginas de belas trajetórias, sem pensar que essas histórias poderiam render no futuro, um número ainda maior de fãs e admiradores, perpetuando a obra dessas pessoas. E convenhamos: no caso de livros, áudio ou vídeo, a perpetuação da obra e o relançamento de artigos que tornem o artista sempre na mídia é algo que acaba beneficiando antigos e novos fãs e principalmente todos aqueles que detém os direitos sobre a obra do artista. Mas, ao invés dos detentores dos direitos sobre as obras dessas personalidades ou os atores coadjuvantes da história de vida dessas personalidades se aperceberem disso, acabam por colocar areia em projetos e planos, com a única tentativa ao meu ver de matar o artista ou a personalidade pela segunda vez. Já vi uma briga imensa por causa do lançamento de várias biografias, livros, quadros, cds e filmes, o que é lamentável, porém, muito mais comum do que se imagina. O escritor Ruy Castro falando para uma platéia na Bienal do Livro do RJ afirmou que, no Brasil, "o biografado ideal tem que ser órfão, solteirão, filho único, estéril e brocha". Como publicou o jornal O Estado de São Paulo, a piada do autor não é só uma jogada de efeito para impressionar caçadores de autógrafos: Ruy Castro comeu o pão que o diabo amassou para ver publicado o best-seller Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha, encurralado na Justiça pelas filhas do jogador. Eu completaria a afirmação de Ruy Castro escrevendo que além de tudo o que ele escreveu, o biografado deverá ter levado sua vida como um monólogo, sem a participação de ninguém que eventualmente pudesse ser citado nominalmente em uma futura biografia pós-morte. Ainda quando tentam lançar uma biografia de algum vivo vá lá, mas depois que ele se foi não dá né?

Pois bem, um dos artistas que tentam enterrar de novo pela segunda vez desde Agosto de 1.989 é Raul Seixas. O maior artista da música brasileira na minha opinião e aquele que arrebanha cada dia mais fãs de todas as idades, classes e credos parece que nunca vai descansar em paz e se mantém vivo na memória e nos corações das pessoas graças a guerreiros como Sylvio Passos que preside o Raul Rock Clube há 30 anos e soldados da legião de Raulseixistas que, como um exército, marcham contra tudo e contra todos levando a bandeira do Maluco Beleza como estandarte maior. Desde que Raul morreu em Agosto de 89 eu ouço histórias dizendo de projetos que são vetados ou mutilados por essa ou aquela pessoa, planos são abortados, discos que não saem, bandas e artistas que são impedidos de regravar Raul (inclusive Zé Ramalho), livros que são mutilados (como no caso do livro A História que não foi contada de Elton Frans) e mais recentemente a polêmica sobre a biografia que o jornalista Edmundo de Oliveira Leite Jr pretende lançar sobre Raul Seixas, onde, matérias nos jornais como esta aqui dão conta de que Kika Seixas, ex-companheira de Raul enviou duro telegrama a ele advertindo-o de que medidas judiciais cabíveis serão tomadas caso o jornalista insista em lançar a biografia de seu ex-companheiro. Para meu espanto, segundo matéria no Jornal O Estado de são Paulo, Vivian Seixas, filha e uma das herdeiras de Raul assume a ameaça de levar o escritor á barra dos tribunais caso tal publicação seja impressa. O mais curioso é que pouco tempo atrás, um advogado de uma outra filha e herdeira de Raul, cujo nome é Scarlet e que mora nos EUA, entrou na comunidade oficial de Raul Seixas no Orkut, cujo dono é Sylvio Passos e arrumou a maior “confa”, por causa do Projeto Virada Cultural de São Paulo, que teve um palco tocando Raul por 24 horas, que reuniu vários artistas, um número incalculável de fãs e de pessoas que ou curtiam Raul ou passaram a curtir Raul depois de assistir a algum dos shows ali apresentados. Alegava ele que os direitos autorais relativos às músicas do Raul executadas pelas bandas e artistas não haviam sido recolhidos junto ao ECAD. A polêmica e a pegação no pé fez com que o próprio Sylvio se desestimulasse a tocar futuros projetos e uma das pessoas que veio em defesa do Sylvio na comunidade foi justamente Vivian Seixas, a mesma que dizem, assume as ameaças feitas pela mãe ao jornalista que escreve a biografia há cinco anos. Não é curioso?

Custa-me a acreditar que a obra de Raul esteja sendo podada desse jeito e que, justamente quem deveria fazer perpetuar a obra de Raul esteja brecando projetos. Eu leio as matérias, as discussões, os comentários e fico perplexo com isso, sem acreditar que queiram fazer morrer Raul Seixas mais uma vez. O jornal estampa até o telegrama enviado por Kika Seixas ao jornalista o que atesta a veracidade das ameaças. Mas porque? A quem interessa ou não esses vetos? A história do Raul é uma história que teve momentos bons e momentos não tão brilhantes, mas é uma belíssima história. Se eu fosse filho de Raul Seixas, seria o primeiro a encabeçar projetos que colocassem no mercado todo tipo de item relativo a Raul Seixas e incentivaria outras pessoas a fazerem o mesmo. Claro, caso alguém quisesse publicar inverdades, aí sim o veto ou o corte poderia ser usado, caso contrário, nada se justificaria, porém, matérias como as dos jornais servem pra me fazer acreditar que estas coisas infelizmente são verdadeiras, o que me enche de tristeza, já que sou fã desse grande artista.

Fico pensando o quão triste deva estar Nosso querido Maluco Beleza, que de onde ele está, assiste a tudo sem nada poder fazer para interceder, assim como seus pais biológicos Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas que da mesma forma devem estar profundamente entristecidos com todos aqueles que desejam enterrar seu filho mais uma vez. Desejam, mas não conseguirão porque a obra de Raul Seixas e a chama Raulseixista, sempre arderá no coração de centenas de milhares de fãs pelo mundo. Os Raulseixistas são os verdadeiros herdeiros de todo o legado de Raul Seixas. E são esses malucos que lutando contra tudo e todos continuarão levando a música e a poesia de Dom Raulzito a todas as gerações que virão, porque ao meu ver, se dependesse de algumas poucas pessoas, a história, a música e a poesia de Raul Seixas já teriam sido enterradas junto com seu corpo há 20 anos. Portanto, ao ler todas essas picuinhas que são publicadas, o meu grito de protesto é:
DEIXEM LIVRES A VIDA, A MÚSICA E A POESIA DE RAUL SEIXAS ESSE ARTISTA QUE, QUEIRAM HERDEIROS OU NÃO, JÁ É DOMÍNO PÚBLICO, JÁ ESTÁ ENCRAVADO NOS CORAÇÕES E NAS MENTES DE CENTENAS DE MILHARES DE PESSOAS PELO MUNDO! VIVA RAUL SEIXAS, O ETERNO MALUCO BELEZA!!!!!!
Lembrem-se sempre: "Todos os que desejarem enterrar um artista ou personalidade marcante e inesquecível como o Raul acabarão por perecer um dia e serão esquecidos em pouco tempo. Já um artista como o Raul jamais será esquecido" (By Zé Roberto)

quinta-feira, 9 de julho de 2009



INTERNET, QUAL É A NOSSA RESPONSABILIDADE EM RELAÇÃO A ESSE VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO E RELACIONAMENTO?

Esta semana, duas coisas me deixaram extremamente contrariado na Internet. A primeira foi um e-mail que recebi pedindo para que fosse repassado, onde há uma espécie de comparação entre a morte de astros do rock e a vida de aristas de outros gêneros musicais. Diz o e-mail (diz porque está em circulação por aí) que morreram vários astros do rock de forma precoce e que muitos “pagodeiros” “sertanejos” e o que o criador chama de “axezeiros”, continuam vivinhos da silva e que se repassarmos o e-mail uma vez, morrerá um pagodeiro, se repassarmos duas vezes morrerá um sertanejo e assim por diante, ou seja, quanto mais e-mails repassarmos, mais artistas morrerão. É uma corrente vibratória do mal repassada por pessoas que muitas vezes não tem nem noção do que estão fazendo. Mas sem sombra de dúvida o que me deixou mais estarrecido e enojado foi um “conto” ou “história” que li num site de escritores, onde uma escritora traz a narrativa de uma criança de 13 anos de idade (ou uma menina pré-adolescente como queiram alguns) contanto suas experiências sexuais com sua priminha com detalhes e com um palavreado explícito que deixaria Nelson Rodrigues corado. Na história ainda, a menininha que tem seu desejo sexual pela priminha fica super enciumada pelo relacionamento que sua prima tem com um garoto da escola e pra tentar acabar com esse relacionamento, seduz sexualmente um outro garoto e manda que ele estupre o “namoradinho” da priminha (ou como queiram alguns “manda que abuse sexualmente dele), o que o seduzido faz sem pestanejar e também sem dó nem piedade, afinal, como a escritora mesmo narra”, ele arrastava um caminhão de merda pela menininha pré-adolescente. A escritora narra que o garoto tem o seu ânus penetrado e que mesmo gritando por socorro não encontra quem o ajude. A menininha pré-adolescente em questão assiste a cena, muito provavelmente extasiada com o que viu, afinal o mandado em questão estava cumprindo fielmente uma ordem que lhe fora dado. Confesso que fiquei enojado de tal forma que não consegui ler o resto do último capítulo e após interromper a leitura, fiquei meditando sobre o nosso papel junto a Internet. Qual é a nossa participação nesse mundo digital. Que marcas nós estaríamos deixando gravadas aqui? Ao ler o e-mail que recebi, fiquei imaginando o número de pessoas que ao repassar o e-mail estariam também vibrando negativamente em relação a essas pessoas as quais o e-mail pede pra vibrar e ao ler o “conto”, fiquei imaginando o número de possíveis anormais (leia-se pedófilos e doentes sexuais em geral) que irão se deliciar com esse conto “pré-adolescente’ que traz uma certa riqueza de detalhes. Alguns de vocês poderiam até sugerir que os mesmos fossem denunciados, mas isso não é possível porque há a liberdade de expressão na rede e possíveis denúncias seriam ignoradas inclusive pelo site que hospeda esses escritores. E digo isso com conhecimento de causa porque já denunciei um anormal desses nesse mesmo site e ele continua lá livre, leve e solto, postando tranqüilamente seus textos. A Internet meus amigos é um mundo, não há qualquer tipo de censura nas postagens e em pouquíssimos e raríssimos casos poderemos ter uma eventual censura posterior. Acho que o bom senso e a responsabilidade de alguns internautas perante outros internautas e ao meio em que vivem (ou navegam) está indo gradativamente para o ralo. Minha insatisfação com o mundo virtual só tem aumentado e minha incursão pela rede mundial de computadores tem sido cada vez menor por causa dessas e de outras coisas. Aonde iremos parar?? Só o tempo nos mostrará meus amigos. E enquanto o tempo não nos mostrar, continuarei como um Dom Quixote cibernético lutando e protestando contra tudo o que de errado eu encontrar, alertando a todos sobre a importância da Internet e principalmente a responsabilidade que temos em relação ao uso que fazemos dela.