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sábado, 23 de maio de 2009

ATÉ MAIS VER ZÉ RODRIX!

A minha crença me ensina que só o corpo morre, o espírito é eterno e que as separações carnais são apenas temporárias, porque, se nos separamos hoje, um dia vamos nos reencontrar em espírito...
Isso poderia ser um alento para mim, se certas separações ás vezes não ocorressem de surpresa, assim de repente, sem avisar, porque aí, a tristeza é inevitável. Rolando Boldrin, emprestando frase de Ranchinho da Dupla Alvarenga e Ranchinho costuma dizer: “Ele partiu antes do combinado!”. Claro, todos nós temos a nossa programação de vida, temos o nosso tempo no orbe terrestre, mas alguns parecem partir mesmo antes, como se o combinado fosse a vida carnal eterna, quando a real vida eterna é a do espírito. É nosso desejo ver todos aqueles que amamos eternamente ao nosso lado, perto de nós e mesmo aqueles que não são nossos familiares, quando se separam de nós acabam nos entristecendo.
Assim, foi com tristeza profunda que recebi a notícia, nesta última Quinta-Feira (22/05/2009) do desencarne de Zé Rodrix, cantor, compositor, músico, um dos membros do Trio Sá, Rodrix e Guarabyra e que era companheiro de estrada. Sim, porque como muitos sabem, também trabalho com produção de shows. Não cheguei a trabalhar com o Trio, mas trabalhei em uma produtora e nesse período trabalhei em dezenas e dezenas de shows da dupla. Zé Rodrix sempre foi um compositor espetacular não só de canções, mas também de jingles, alguns marcantes como o da Chevrolet. Com carreira brilhante, integrou o conjunto Momento quatro que se apresentou ao lado de Marilia Medalha e Edu Lobo no Festival da Record de 1967. Além da trajetória ao lado dos amigos Sá & Guarabyra, Zé Rodrix também integrou os grupos Som Imaginário e Joelho de Porco e gravou alguns discos solos. Seu maior sucesso, “Casa no Campo” foi composto com o parceiro Tavito e acabou sendo imortalizado na voz de Elis Regina. Zé Rodrix era de um alto astral contagiante e nos shows do Trio levantava a galera presente nos espaços por onde o trio sempre se apresentou. No dia 17 de Abril estive vendo o show deles em Paranapiacaba no encerramento do Festival do Cambuci e um mês depois, em 17 de Maio eles se apresentaram na cidade de São José do Rio Preto, com ingressos esgotadíssimos.

Sá, Rodrix & Guarabya em Paranapiacaba - 17/04/2009
(fOTO: ZÉ ROBERTO)
Um novo disco de inéditas foi gravado durante a volta do trio e está pronto para ir pra fábrica. Ás vezes chego a pensar que a viagem dele talvez tenha sido adiada um pouquinho para que o cd pudesse ser concluído. Por conhecer bem a dupla, creio que este disco será lançado e que os shows (Como o do Sesc Santo André que está agendado) acontecerão sim, afinal, eu creio que o amigo Zé Rodrix lá estará em espírito como sempre esteve. Será um dia de muita emoção, sem sombra de dúvida e se Deus quiser, eu lá estarei para me emocionar junto com todos...
O Brasil perde um grande e verdadeiro artista que deixa uma obra fantástica e eterna que é e sempre reverenciada por todos os que apreciam a boa música, mas o plano celestial terá mais um artista em seu cast. E é por isso que penso sem medo de errar:
Pois é, Zé Rodrix queria uma casa no campo e Deus acabou lhe concedendo uma mansão no céu!!! Até mais ver Zé! Salve você, cidadão latino americano que agora se libertou da cela de ossos, carne e sangue! Salve Zé, um dia nos reencontraremos meu caro, mas enquanto isso não acontecer seguirei cantando uma canção que você compôs com seus parceiros e irmãos Sá & Guarabyra...
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Até mais ver,
Teto sem forro.
Até mais ver,
Telha de barro.
Até mais ver,
Casa de abelha,
no morro.
Cama de palha,
Trilha de areia,
Alma-de-gato,
Rio amarelo e vazio.
Até mais ver, sertão...
Até mais ver,
Copo de folha.
Até mais ver,
Couro de boi.
Até mais ver,
Vento das onze da noite.
Flor de pimenta,
Carne-de-sol,
Pomba cinzenta,
Gente morena e vivida.
Até mais ver, sertão...


Sá Rodrix & Guarabyra - Até mais ver

Um comentário:

Alan disse...

Belo texto. Saudade do Zé!