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quinta-feira, 5 de março de 2009

NÃO MATARÁS E NEM JUDIARÁS DE SEUS SEMELHANTES...

Algumas coisas mexem demais comigo. Não consigo ficar alheio aos problemas dos outros. Vejo muita gente que diz: Ah, eu não vejo tevê pra não ficar vendo desgraças! Outras pessoas se dizem muito ocupadas pra se informar e pra se atualizar em relação aos problemas não só do mundo, mas ás vezes até de seu próprio bairro. Parece incrível, mas, é assim mesmo. Muitos dizem que assistir a telejornais só traz energias negativas e baixo astral e fecham os olhos literalmente. Eu já vejo de tudo, procuro assistir a um Jornal Nacional e também a um Brasil Urgente e este último, apesar de ser tachado de sensacionalista é na minha opinião, o grito que muitas vezes eu queria dar.
Bom, dia desses eu estava zapeando minha tv e parei em um canal chamado TV Aberta e ali começou um programa do Instituto Nina Rosa que é uma instituição de amor aos animais e que tratava do assunto vivisecção e de experiências com animais para o “progresso” da ciência, da medicina e da indústria. Pois bem, comecei a assistir o documentário e em pouco tempo eu já tinha lágrimas nos olhos. É incrível como, nos dias de hoje, os homens ainda cometam atrocidades contra os animais sob a desculpa de beneficiar a ciência a indústria e a medicina quando temos métodos alternativos de fazer as tais experiências. Vivisecção é a prática de se estudar um animal vivo, abrindo o mesmo e em seu corpo fazendo mil experiências. Tais animais também servem de cobaia para que sejam testados milhões de produtos que usamos em casa, no corpo, nas indústrias etc etc e etc... Eu creio que nosso processo evolutivo é realmente muito baixo e estamos ainda num nível bastante inferior e a prova disso é que as pessoas praticam esse tipo de atrocidade contra os animais sem o mínimo problema de ordem emocional. é como se elas se acostumassem com essas atrocidades. A matéria mostra que alguns poucos estudantes só é que se sentem desconfortáveis em ter que seguir tais disciplinas nas faculdades de Medicina humana e veterinária, mas muito poucos deixam de praticar esse tipo de atrocidade se ela estiver incluida na disciplina da faculdade que ele estuda. Muitos alegam que é preciso matar meia dizia pra depois aprender a salvar milhares de outros seres, ou judiar de algumas centenas para que milhões possam deixar de sofrer algo. Eu já acho que, se existem métodos para se aprender sem que seja preciso usar dessas técnicas horrorosas e desumanas, porque continuar nessa toada? A matéria mostra que já existem faculdades que aboliram o uso de animais nas experiências. Porque então o exemplo não é seguido? Eu acho que ainda nos faltam espiritualidade e principalmente o amor ao nosso próximo, em cuja categoria eu incluiria não só os nossos semelhantes humanos, mas também os animais e os vegetais. Vou reproduzir o vídeo produzido pelo Instituto Nina Rosa no final dessa postagem em várias partes. Desde que assisti o vídeo, não consigo tirá-lo da cabeça e ainda me emociono ao relembrar várias das cenas. Vejam os vídeos até o final se puderem ou se quiserem e se vcs conseguirem assistir o vídeo até o final sem se emocionarem nem um pouquinho, não se preocupem, vocês não são os únicos insensíveis nesse planeta. Que um dia todos nós possamos nos conscientizar da necessidade de amar e respeitar os animais...



PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3


PARTE 4


PARTE 5


PARTE 6


PARTE 7

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


MADRUGADA DE CINZAS...
*
Ando só, na madrugada, pela avenida vazia
Olhando as estrelas que já vão se deitar
A cidade meio as escuras, não mostra mais alegria
E o Sol não demorará a brilhar
*
Restos de uma grande fantasia
Jazem pisoteados no chão
Embotando o luxo e a magia
Que a pouco encantava a multidão
*
Ainda posso ouvir em pensamento a gritaria
Que a instantes era entoada pela multidão
Mas caio na realidade e volto a ensaiar minha coreografia
Que mostra os passos tristes de um solitário folião
*
Alguém que retorna para sua moradia
Suado, cansado, mas de alma lavada
Por ter deixado por momentos a melancolia
Que em sua alma estava encravada
*
A condução que segue em direção á periferia
Vejo ao longe despontar
Será que chego em casa antes do raiar do dia?
Tomara, pois essa lotação é a primeira a passar
*
Boemios, passistas foliões e até um componente de bateria
No coletivo, ao meu lado, meio sonolentos estão a sentar
Minha madrugada ao menos agora não é mais vazia
O que me leva de pronto a pensar:
*
Será que o ano demorará a passar?
Tomara que não...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Á VOCÊ QUE TANTO AMEI E DESEJEI...

Hoje, nesta madrugada insone, estava meditando sobre o nosso relacionamento, desde o iniciozinho até os dias de hoje e resolvi te escrever. Sinto que preciso fazer isso e que tem que ser agora.
Lembro como se fosse hoje a primeira vez que tive um contato com você. Foi visual. Estávamos no mesmo ambiente, mas apesar da proximidade eu não dei a mínima bola pra você. Meus olhos ao invés de fitarem você, estavam meio que perdidos no ambiente e eu nem tinha idéia de que em breve teríamos um grande e ardente relacionamento. Esse encontro aconteceu devagar, meio tímido. Eu fui me aproximando, fui tomando contato com você e aos poucos fui percebendo o quão encantadora você era. Sedutora, apaixonante e capaz de enfeitiçar os corações mais endurecidos, você, num curto espaço de tempo me seduziu pra valer, fazendo com que eu não só me apaixonasse, como também me fez lamentar o fato de não ter te conhecido antes. Se eu soubesse que você era assim esplendorosa eu teria me aproximado de ti antes e não só agora. Mas, fisgado por uma paixão arrebatadora me entreguei a ti, assim como você se entregou a mim. Passamos então a nos relacionar de uma forma tão avassaladora que não víamos o tempo passar. Horas e horas a fio nos amando loucamente sem nos darmos conta do perigo que isso representava. Fizemos amor por centenas de madrugadas, copulando freneticamente até que explodíssemos em orgasmos maravilhosos. A essa altura, eu já estava cego de paixão e passei a pensar só em você praticamente 18 horas por dia. Quando algum compromisso me obrigava a me separar de ti era um tormento. Eu, embora em algum lugar distante de ti, tinha meu pensamento voltado á você, tentando imaginá-la, procurando através do pensamento captar o que você estaria fazendo e ao mesmo sentia um frisson danado, uma vontade louca de reencontrar você o mais rápido possível, mas nem sempre isso era possível...

Aí, a síndrome de abstinência se fazia presente e eu não conseguia mais me sentir bem, estivesse onde estivesse.
Amava você e ficar sem ti era algo inimaginável para mim.
Fico agora relembrando quanto amor recebi de ti! Minha nossa, quanta alegria me proporcionou! É claro, tivemos várias rusgas, naturais a quem se relaciona por um bom tempo, mas passamos por cima de todas elas com maestria.
Foi um tempo muito bom, (e como foi!), mas a relação com o passar do tempo, amo menos pra mim foi se desgastando lentamente. Mesmo com todo o amor que unia o nosso relacionamento eu comecei a sentir que o sentimento que eu nutria por ti já não era mais o mesmo. E isso obviamente fez com que as noites tórridas de paixão diminuíssem, que as declarações de amor fossem mais comedidas e que passássemos a fazer amor com menos freqüência. Inacreditavelmente passei a não sofrer tanto quando precisava me separar de ti por um tempo e já me concentrava mais nos compromissos ao invés de manter o pensamento somente em você. Foi aí que descobri que não mais sentia o amor e o desejo que acumulei nesses anos todos em que nos relacionamos. Porque? Será a consciência de que nosso amor é impossível? Será que eu não conseguiria amar você em doses homeopáticas? Eu creio que minha vida tem tomado um rumo diferente e agora caio na real de que, com esse novo rumo que minha vida tem tomado, nosso relacionamento não poderá ser mais o mesmo e aí o coração se antecipou e baixou o nível de amor, paixão e tesão que preenchia meu ser á níveis baixíssimos.
O fato é que, como você pode perceber, já não te amo mais, já não te desejo mais como antigamente. Quanto tempo faz que não fazemos mais amor nas madrugadas? Quanto tempo faz que não trocamos aquelas lindas juras de amor que nos emocionavam? Pois é... Eu na verdade precisava dizer isso á você que além de ter sido um grande amor, foi meu sustentáculo nas horas difíceis e me ajudou em vários momentos em que eu precisava de amparo espiritual.
Sinto que você poderá se entristecer muito com essa declaração, porém o meu íntimo me obriga a fazer essa confissão, afinal, seria injusto estar ao seu lado apenas por estar sem sentir mais o que sempre senti. Você talvez sofra ou talvez não, afinal tem vários amantes que podem suprir a sua fome de amor e tesão. Eu não digo que me afastarei de ti de uma vez, mas confesso que nossos encontros poderão ficar cada dia mais esparsos caso esse amor que tenho por ti continuar a diminuir ainda mais. Você não poderá fazer nada pra reverter esse quadro e se tudo tiver que voltar a ser como antes, será por minha livre e espontânea vontade. Enquanto isso não ocorrer, só me dizer que se tomei esta decisão é porque precisava tomá-la mais cedo ou mais tarde, em decorrência dos rumos que tenho dado a minha vida. Da mesma forma, quero desejar que sejas feliz com novos amores e que possas saber que, o amor que me deu esse tempo todo nunca será esquecido, ao contrário, ficará guardadinho aqui no meu coração para todo o sempre e se estou tomando essa decisão é porque realmente precisava tomá-la e por isso espero sinceramente que entenda essa minha decisão que pode nos afastar um pouco agora, mas que deixará marcas, sensações e alegrias que nunca serão esquecidas. Desculpe-me querida, vou encerrar agora, pois não consigo escrever mais...
Com carinho,
Zé Roberto

*A esse texto cabe uma explicação para que se evitem mal entendidos ou duplas interpretações. Ele fala de minha relação com a internet. Ando sem pique pra navegar por uma série de fatores e a paixão e o vício que eu tinha pela internet diminuíram em 2.008 quase 40%. Em 2.009 a tendência é a de que essa porcentagem aumente ainda mais.

domingo, 2 de novembro de 2008


O SOL DA MUDANÇA E A MUDANÇA DO SOL

Acordo nas manhãs de Primavera
E ao abrir a minha janela brilhante
Não recebo mais do Sol
O meu: Bom Dia!

Ao que parece, estou em outra era...
Pois percebo o calor do sol distante
E visualizo meio opaco o arrebol!
Ah meu Deus! que agonia...

O jardim que avistava tão florido
Com belas e perfumadas flores
Hoje está meio sem vida
Perdeu suas cores e seu perfume

Sinto o meu peito dolorido
Incomodam-me pequenas dores
Desejo a volta da luz da estrela escondida
Que sempre me encantava com seu belo lume...

Talvez seja essa a realidade
Que eu sempre me recusei a aceitar
Ao achar que o imenso Astro-Rei
Para sempre estaria a me aquecer

Mas irei lhes dizer agora uma grande verdade:
Já se faz tarde e preciso me deitar!
Mas acreditem...
Amanhã cedinho novamente acordarei
E a minha janela com alegria imensa eu abrirei
Para ver novamente o grande Astro-Rei nascer...

Que surpresas me trará o Sol amanhã?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008


MEU EMOCIONANTE ENCONTRO COM O POETA NUMA ESTAÇÃO DE METRÔ
.
Um dia complicado, de um baixo astral muito grande para mim. Essa era a Quarta Feira de extremo calor que eu estava enfrentando na tarde de São Paulo. Os problemas pessoais de grande monta faziam com que eu andasse um tanto quanto cabisbaixo, com passos lentos, refletindo sobre o dia que foi, (infelizmente), mais uma vez infrutífero. A tristeza tem sido minha companheira constante e ando com a emoção á flor da pele. A escrita através dos textos e das poesias, tem-me servido como um alento, como o bálsamo que faz com que eu me sustente, que faz com que eu enxugue ás lágrimas, seguindo pela vida e pelos percalços com a determinação de quem tem a certeza da vitória, mesmo que ela pareça distante e eu agradeço a Deus todos os dias por ter o dom de escrever, mesmo que de forma singela, pois o ato de por no papel algum texto ou alguns versos, muitas vezes modifica o meu dia para melhor.Pois bem, buscando uma paz interior em contraponto com os dissabores que acabara de ter horas atrás (e que não vem ao caso agora), estava voltando para casa, pensando numa melhor maneira de me tranqüilizar. Precisava de um sustentáculo de um bom motivo para desviar o meu pensamento e pensei na escrita, mas lamentavelmente eu não portava uma caneta para tentar rascunhar algo que me distraísse. Desci então as escadas do Metrô da Estação República no centro de São Paulo, imaginando aqueles vagões lotados, super quentes, com pessoas que muitas vezes parecem estar indiferentes aos problemas da gente, que não se preocupam mais em nos perguntar se precisamos de algo e seguem seu caminho como se nós fossemos transparentes. Mas que bela maneira de relaxar essa hein? Bom, parei subitamente então próximo ás paredes laterais do salão intermediário existente entre o térreo e as plataformas e fiquei raciocinando sobre o que acabara de pensar e não me contendo, resmunguei em voz ligeiramente audível:
-Meu dia foi tão ruim hoje, mas quem se importa com que eu passei ou deixei de passar?
Ao resmungar para mim mesmo, ouço uma voz calma e suave que ecoa ao meu lado:
-Meu amigo, O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso!Assustado, me virei para ver quem tinha falado comigo e tomei um susto! Sem acreditar no que estava vendo, respondi com uma voz trêmula de emoção dizendo:
-Poeta querido, o senhor por aqui! Meu Deus, que alegria, eu amo seu trabalho! o Senhor é uma celebridade no mundo da poesia e da literatura e encontrá-lo é uma grande alegria!
O poeta então, com seu olhar humilde, disse-me, fitando meus olhos brilhantes, semimarejados:
- Procures me amar quando menos mereço, pois é quando mais preciso. Veja meu amigo, o que vou dizer sobre muitas celebridades: Era um grande nome - ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele
-Verdade Poeta, que lindos pensamentos, verdadeiros mesmo! -“Quando menos merecemos é quando mais precisamos!” Me perdoa por adaptar seu pensamento poeta, mas me lembrei agora da belíssima passagem do Evangelho onde Jesus nos diz que “Os sãos não precisam de médico...” E eu também acho que todos nós temos que lutar para sermos lembrados pelas obras que deixamos e não pela celebridade que fomos.
-Sim, sem dúvida meu amigo, ouça o que este velho poeta vai lhe dizer: Não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição. Que adianta sermos um nome em uma placa de rua se o nosso exemplo não é e nem foi dos melhores?
-Verdade meu querido poeta, verdade mesmo. Sabe poeta, eu gosto muito de escrever e a escrita me fascina por demais desde que eu era adolescente e poetas como o Senhor sempre me inspiraram. Eu não teria a ousadia de lhe pedir algumas dicas, mas sabe, ás vezes depois de escrever, leio o que escrevi e penso que escrevi uma grande bobagem, que as pessoas não irão gostar...
-Ora meu caro, ás vezes a gente pensa que está dizendo bobagens e está fazendo poesia! Veja por exemplo: Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe: O que Deus quis dizer com este mundo? Eu acho que você deve ousar e colocar no papel o que a inspiração lhe ditar. Vou lhe dizer uma coisa meu amigo e sei que entenderás: Há noites que não durmo de remorso por tudo o que deixei de cometer, entendeu?
-Meus olhos marejam poeta, marejam por ouvir suas palavras que acima de tudo são um incentivo a mais para que eu escreva mais e mais e esta última lição, é uma lição de vida acima de tudo. Tenho lutado muito para isso, tenho procurado buscar no fundo de minh’alma as palavras mais bonitas do mundo para que elas se juntem a fim de formarem versos, estrofes e poemas que tenham no mínimo um milésimo da beleza que os seus poemas tem, mas por vezes parece tão difícil buscar palavras que possam exprimir com clareza e sentimento aquilo que o coração está ditando para a mente. Qual é o segredo meu querido poeta?
-O segredo meu caro amigo, o segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você...
-Ah meu Deus! Que lição maravilhosa! Meu poeta querido, que honra poder beber em tua fonte, que privilégio poder absorver suas palavras, palavras sábias de quem não só emociona com versos de amor, como também de quem tem grandiosas lições de vida a nos ensinar... Eu fico pensando ás vezes, como os analfabetos devem sofrer por não saberem ler, pois se privam de trabalhos tão lindos quanto o seu.
-Ah, mas os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem meu amigo, pode acreditar no que digo.
-É, pensando bem, tens razão, pois raciocinando melhor, percebo que os analfabetos dispõem de pessoas que possam ler seus versos para eles, já os letrados...
-Sim, sem dúvida.
-Mas me diz uma coisa meu querido, sem querer abusar, queria lhe perguntar uma coisa: Ás vezes eu leio determinados poemas e tenho uma grande dificuldade em interpretá-los. Como faço para interpretar um poema?
-Amigo, a resposta está na ponta da língua:
-Hummmmmm Eu nunca vi essa questão por esse ângulo, mas tens razão meu querido, é verdade! O poema por si só é uma interpretação!
Nesse momento senti uma emoção fortíssima que veio num rompante e olhando nos olhos do poeta, perguntei:
-Posso lhe dizer uma coisa Poeta?
-Claro que sim, pode dizer o que desejares.
-Essas suas lições embargam a minha voz e sinto uma vontade... uma vontade muito grande de chorar. Estou num momento difícil de minha vida e a emoção meu amigo flui em minhas veias de forma latente, borbulhante, e ameaça á todo momento rompê-las como se ela (essa minha emoção) fosse explodir numa hemorragia incontrolável que sutura nenhuma conseguiria reparar...
-Pois chore, a emoção é bem vinda e nos faz bem...
Nesse momento então, lágrimas copiosas começaram a rolar de minha face, pingando no chão, como gotas líquidas de tristeza que saiam de meu âmago e era como se essas gotas de tristeza viessem de um reservatório interno que ia lentamente se esgotando á medida que as lágrimas iam saindo de meus olhos. Um choro compulsivo e incontrolável que passava desapercebido pela multidão de apressados que corriam em busca de um melhor lugar nos trens do Metrô, mas lágrimas essas que eram percebidas e compreendidas pelo poeta querido que estava ao meu lado e que mesmo em silêncio absoluto me consolava de forma carinhosa e abnegada. Após o choro compulsivo, esgotei o meu reservatório de tristeza. Era como se eu precisasse chorar para desabafar e esgotar, mesmo que por um instante a tristeza que se abatia sobre meu espírito.
Comecei a me recompor e então o poeta, olhando carinhosamente em meus olhos disse:
-Me parece que o amigo busca a felicidade e sinto que você procura ser feliz, por isso quero lhe dizer algo e quero que medite muito sobre o que vou lhe dizer agora meu amigo: Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. E tem mais amigo:
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
-E eu poderia ainda completar:
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!.
-É verdade poeta, que lindas são essas mensagens e que lindos são esses versos! Isso mesmo! Sim, eu prometo guardar essa valiosa lição e meditar sobre ela todos os dias de minha vida.
-Sim, viva, lute, escreva sempre cada vez mais e não temas o futuro, pois nós vivemos a temer o futuro, mas é o passado que nos atropela e mata! Escreva, coloque no papel aquilo que teu coração mandar. Desabafe, ame, proteste, mas faça da poesia o instrumento que venha a lhe trazer alento e que possa te trazer felicidade ou ao menos paz de espírito.
-Ah sim poeta, vou escrever sempre sobre tudo, mas sempre com muita verdade, me esquivando das mentiras.
-Claro, mas você sabe o que é a mentira de fato?
-Não, não, talvez uma inverdade?
-Eu creio que a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer meu amigo... Você fala em escrever sobre tudo e você está certíssimo. Veja esses versos que fiz e pense sobre eles:
Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro de ti se achava inteiramente nua...
-Ah, bendito seja poeta abençoado! Que benção aspirar os balsamizantes ares da poesia que vem trazendo seus versos e que são um perfume para o meu olfato espiritual meu querido poeta! É engraçado, mas ás vezes fico meditando sobre os poetas, sobre o que é ser poeta e acho que todo poeta tem um pouco de louco e vice versa, tanto que tem um ditado popular que diz: Dizem que de louco e poeta todo mundo tem um pouco. Eu por exemplo acho que tenho demais dos dois, mas quem saberia dizer?
-Meu caro, sabe qual é a diferença entre um poeta e um louco?
-Não, por favor, explique!
-A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta sabe que é louco... Porque a poesia é uma loucura lúcida.
Interrompi nesse momento a explanação do poeta, e maravilhado que estava abri meu melhor sorriso exclamando:
-Sim, sim, sim, sim, mil vezes sim poeta! Bravo! Bravissimo!!
-Pois como eu dizia meu caro amigo, escreva sempre, tenha a consciência de que os verdadeiros versos não são para embalar e sim para abalar... Que a sua poesia possa emocionar e unir as pessoas cada vez mais e que ela possa ser a incentivadora de outras pessoas que, através de sua poesia se motivem a escrever também. Não se preocupe se nem todos os que você gostar gostem de ti. Eu por exemplo não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim. Nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante para mim é saber que em algum momento fui insubstituível e que esse momento foi inesquecível. e tem mais, você pode encontrar em seu caminho, pessoas que estejam contra você ou que queiram atravancar o seu caminho, mas sabe o que eu peso sobre isso?
-Diz meu poeta, sou todo ouvidos...
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
-Ah meu Deus! Mas que coisas fantásticas são essas que você acabou de dizer meu querido e amado poeta. Você toca profundamente os nossos corações e sinto agora que não são meus olhos que marejam, mas sim que é o coração que mareja...
Meu coração pulsava alegria e marejava felicidade, uma felicidade incontida, motivada por este inesperado encontro. As lágrimas de tristeza se transformaram em lágrimas de felicidade e agradecimento e eu já não conseguia mais manter um diálogo lúcido, pois o pensamento, embotado por uma mistura de êxtase e estupefação e essa sensação, ao contrário de ser ruim, era ótima, pois estava me levando a um estado de espírito tão gostoso que eu já não me sentia mais dentro de uma estação de metrô e tampouco visualizava mais as pessoas á minha volta que poderiam eventualmente até esbarrar em mim, mas eu não as sentiria, pois o que sentia de fato nesse momento mágico era a felicidade de me embebedar de prazer nas fontes poéticas deste grande poeta, com o qual estava tendo a honra e a benção de poder encontrar. Nada é por acaso, assim eu penso e sei que este encontro não foi por acaso... Sentia uma vontade louca de ficar por horas a fio conversando com esse “bom espírito”, mas senti que o tempo passava depressa e que para ambos, a necessidade de seguir cada um o seu caminho se fazia necessária, por isso, tornei a olhar nos olhos deste que é o meu grande e preferido senhor dos versos e com uma voz ainda mais emocionada disse-lhe:.
-Obrigado por este encontro! Obrigado pelas lições! Obrigado por sua feição doce, por esse olhar de incentivo, por esse seu sorriso que é um sorriso poético e por tudo aquilo que nos deixa como legado. Palavras eternas que o tempo jamais vai apagar de nossos livros e principalmente de nossos corações. Sua obra será eterna meu poeta abençoado! Que Deus o ilumine e que sua estrela brilhe para sempre!
Após dizer-lhe essas palavras de agradecimento eu tomei a liberdade de abraçá-lo ternamente e beijei-lhe as mãos abençoadas que tanto trabalharam em prol desta arte que ele sempre cultivou com muita dedicação. E mesmo que ele não tivesse me respondido e nem agradecido oralmente as minhas palavras, o fazia com o olhar e o sorriso que eram o olhar e o sorriso de quem tem muita luz a espargir pela vida eterna e de quem sempre estará a iluminar a vida de muita gente, seja na solidão de um quarto de hotel ou mesmo num vagão lotado de metrô em pleno horário de rush... Antes de nos distanciarmos efetivamente, ele me passou um cartão e enquanto ele se afastava lentamente eu li em voz alta:.
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso....
Neste instante ás lágrimas novamente desceram caudalosas pela minha face e eu nada mais consegui falar. Enquanto eu visualizava meu querido poeta se afastar com seus passos lentos e cadenciados a única coisa que consegui exprimir baixinho foi: A sua benção, meu querido, amado e eterno, MARIO QUINTANA!
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*Este texto foi escrito inspirado em um momento de muita emoção que tive na quarta feira, 29 de Outubro, quando, muito chateado por alguns problemas particulares me dirigia até a plataforma da Estação República do Metrô de são Paulo, para retornar para casa depois de um dia complicadíssimo, quando me deparei com uma exposição sobre o nosso querido Mario Quintana que acontecia no salão intermediário entre a catraca de entrada da estação e a plataforma de embarque. Imaginei então o meu encontro com ele, ali na estação e escrevi os diálogos, tomando a liberdade de escrever alguns diálogos dele para comigo usando frases escritas por ele e versos, também de sua autoria, os quais se encontram em marrom.

domingo, 26 de outubro de 2008

AS PEGADAS QUE O TEMPO NUNCA VAI APAGAR

Sinto que o tempo, de forma lenta e gradual está se incumbindo de cobrir as marcas que deixamos impressas na areia molhada da praia quando a maré ainda era alta e nos permitia caminharmos de mãos dadas por madrugadas de lua cheia em meio á cenários lindíssimos, deslumbrantes, excitantes á visão e ao tato.Hoje o mar é outro, mais calmo e as nossas pegadas que formavam uma longa fila de passos sincronizados está lentamente se perdendo a cada quebrar de onda. O sol por sua vez tem colaborado para secar a areia da praia e outras pegadas nossas também vão desaparecendo, pois o vento arrasta areia de outros lugares, cobrindo a forma deixada pelos nossos pés...Mas creia, mesmo que um dia, por razões alheias á nossa vontade, as pegadas que deixamos vierem a desaparecer completamente da areia da praia, outras pegadas nossas estarão e ficarão eternizadas, pois são as pegadas deixadas pelos nossos corações na superfície de nossas almas e lá estarão eternamente protegidas das marés, do sol e do vento e lá para sempre ficarão, como lembranças maravilhosas de tudo aquilo que um dia aconteceu entre nós!

OS SINOS DA REALIDADE!
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Ouço ao longe soarem os sinos
De uma igreja chamando seus fiéis
E no caminho percebo o conversar de meninos
Fazendo pipas com cola, linha e papéis
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O som dos sinos é estarrecedor
E agride os meus ouvidos
Enchendo meu peito de temor
Que se manifesta em medos desconhecidos
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Não me conduzo, sou conduzido
Não consigo falar, estou mudo
O que teria acontecido
Para que eu passasse por isso tudo?
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Sinto que os passos são lentos
E no ar paira um choro compulsivo
Em volta de mim só escuto lamentos
Me acho deveras apreensivo
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Mais próximos agora soam os sinos
Com suas estridentes badaladas
Não ouço mais o conversar dos meninos
E tampouco as vozes, que agora estão caladas
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Percebo uma escadaria e por ela vou subindo
Não pela minha própria vontade
Mas guiado pelos que estão me conduzindo
Para as portas de uma dura realidade
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Realidade dura que eu não queria aceitar
Mas que me toma de pronto quando adentro o enorme salão
Ao ouvir baixinho o sussurrar
De lamentos sentidos em forma de oração
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E é só isso meus amigos, o que consigo ouvir agora
Neste santo e sagrado ambiente
Onde o Padre se apronta sem demora
Pois está se aproximando a hora
Dele rezar a minha missa de corpo presente!