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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Frase do dia: "Tudo o que tem meio, acaba no final como começou..." (By Zero)
UM TRISTE BLUES
Um triste Blues ecoa no ambiente
Tocado como um lamento
Cantado por quem sente
A emoção a cada momento
A cada nota chorada
Uma história de dor
A perda de uma amada
Ou o final de um grande amor
O lamento é profundo
E cheio de emoção
Saído lá do fundo
De um sofrido coração
A letra narra uma história
Que as vezes não tem um bom final
Lembranças puxadas da memória
Reflexos do bem e do mal
Por isso estou aqui sozinho
Sentado nesse palco vazio
Tentando encontrar meu caminho
Procurando me aquecer do frio
E enquanto isso não acontecer
Um canto de lamento vou entoar
Num triste Blues que estou a escrever
E que muito em breve vou cantar
DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 41

Diário Estelar 1234567/41
Sistema Solar: Desconhecido (Será?)?
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos (Esperem, falta pouco...)
-Este é um de meus espaços preferidos. A Praça da Poesia é onde me sento para ler meus livros, analisar os manuscritos, pensar em algo que vou escrever, meditar...
-Puxa, que lindo isso aqui mesmo viu Bruno? Essa fonte no meio da pracinha é show. O barulhinho da água caindo traz uma paz incrível e nos acalma o espírito e a mente. Nada como poder sentar-se tranqüilamente e ler um bom livro sem ninguém incomodar. Lembro-me de que quando ia para o interior, sentava-me embaixo de um pé de manga e ficava lendo um livro. Os únicos sons que eu ouvia eram o cantar dos passarinhos e um avião que vez ou outra cruzava os céus por cima do terreiro. Era tão bom! Hoje, na cidade grande, você pega um livro, senta-se no banco de um trem, ônibus ou metrô, e muitas vezes usa o livro como um passatempo de viagem, porque se concentrar cem por cento na leitura é quase impossível, primeiro porque as pessoas esbarram em você, segundo, porque o barulho dos motores e o barulho externo incomodam e por fim, você tem que ficar com um olho no livro e outro olho no ponto ou estação que vai descer. Na roça ou no quintal á sombra de uma árvore, a única coisa com a qual você tem que se preocupar é com a possível queda de uma manga em sua cabeça, mais nada!
-É isso mesmo Zé Roberto, concordo plenamente! Sento-me á beira desta fonte, a minha imaginação flui e assim consigo me concentrar que é uma beleza. Venha mais pra dentro que quero lhe mostrar outros departamentos de minha nave. Este aqui é o espaço do Soneto. Aqui reunimos os amigos para fazermos uns saraus poéticos e musicais. Tem dias que este cantinho está lotado e a participação é grande. Cada um mostrando seus trabalhos, lendo seus versos, tocando suas músicas e enfim, trazendo para nós um pouco de arte, seja ela qual for. Muitos artistas consagrados que se apresentam hoje nos bares estelares e nas centenas de casas de espetáculos espaciais, começaram aqui em algum desses saraus que promovo. Lembra que você, no seu Espaço da Escrita conclamava todos para que mostrassem seus trabalhos pois dali poderia aparecer algum artista que estava escondido? Aqui, fiz o mesmo chamamento e apareceram centenas de bons artistas, gente muito boa mesmo, em todas as áreas da cultura popular. Olha Zé Roberto, não sei até quando você estará aqui nesta parada, mas está convidado para o próximo sarau que acontecerá daqui á três dias, você viria? Sei que você tem muita coisa boa pra mostrar, não é?
-Vamos ver Bruno! Estarei na dependência do orçamento que o amigo do AEE fará do conserto de minha nave e depois que eu aprovar o orçamento, vamos ver quanto tempo levará para ser efetuado o conserto dela, pois não vou mentir meu caro, estou um pouco impaciente e com uma vontade danada de seguir viagem de volta a minha casa. Bruno, queria te pedir um favor, posso sentar-me um pouco aqui?
-Lógico meu amigo, sente-se e fique á vontade! Mas o que é isso? Porque se entristeceu agora? Você estava tão alegre? O que houve?
-Saudades meu caro... Saudades daqueles que eu amo tanto. Meus familiares e meus amigos. Saudades daqueles que se foram cedo para as esferas espirituais e saudades daqueles que se distanciaram de mim sem um motivo justo. A saudade é uma palavra que não tem tradução em outras línguas, mas também é um sentimento que quando aflora em nós, provoca uma sensação que não conseguimos expressar por mais que queiramos. Ah meu amigo, bateu uma saudade agora...
-Porque esse sentimento aflorou em você Zé Roberto, assim tão de repente?
-Meu caro Bruno, muitas vezes, pergunto-me simplesmente: Porque certas coisas tem que ser assim? Respostas ao vento é tudo que eu consigo! As palavras são arrastadas pelo redemoinho antes que eu consiga ler a resposta para a pergunta que eu fiz e quando o vento e o redemoinho cessam, as palavras que compunham a resposta estão estraçalhadas, desmembradas e as letras, cada uma para um lado estão espalhadas pelo chão desordenadamente de modo que não as consigo juntar por mais que eu tente... Recaída meu caro! Neste exato momento estou tendo uma recaída e preciso logo mudar de assunto para não entrar em depressão...
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A FORÇA DO QUERER DA PEQUENA TATY
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O ônibus rodava pela Presidente Dutra, uma rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e era pra lá que eu estava indo a fim de visitar uns amigos que eu tinha conhecido na internet e também para respirar ares novos, livrando um pouco meu pulmão da poluição de Sampa. Peguei o último carro da noite, pois eu achei que viajando de madrugada conseguiria dormir de pronto assim que o motorista apagasse as luzes do salão do ônibus. Ledo engano, pois eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Um ou outro passageiro estava com a luzinha individual ligada porque estava lendo um livro ou um jornal e eu com o rosto colado no vidro, olhava o movimento da rodovia que era intenso apesar de já ter passado da meia noite e meia. O céu lá fora estava claro e eu conseguia ver bem o ir e vir dos carros que era mais intenso no vir do que no ir. Vi passarem as cidades do Vale do Paraíba em São Paulo, admirei mais uma vez a bela Catedral de Aparecida, o Santuário da Fé e resolvi então sacar meu mp3 player pra ouvir uma seleção de canções que eu havia gravado para a viagem. Pus os fones de ouvido, apaguei a luz individual e comecei a ouvir as canções de olhos fechados. Lá pelas tantas, no meio da Serra das Araras entre declives e curvas fechadas começa a tocar uma música de um amigo meu chamado Paulo Zé. A canção se chama “Força do Querer”, uma linda canção na minha opinião, que alguns chamariam de pop romântica, mas uma bela canção que tem uma letra (ao menos pra mim) tocante. Fiquei meditando sobre o título da canção e de imediato comecei a pensar: O que seria a força do querer? Qual seria a força do querer? Qual a energia e que energia estaria embutida nessa expressão? Pensei, pensei e pensei tanto que por incrível que pareça acabei adormecendo, tendo um sono tranqüilo apesar do desconforto do banco de um ônibus convencional.
Acordei com o ônibus estacionando na Rodoviária Novo Rio. Desci, peguei minha mala, fui ao sanitário, tomei um banho rápido para despertar. Fui até a lanchonete, pedi um café e o sorvi comendo bolo e também um pão chapado (pão com manteiga na chapa). Confesso que não gosto do chamado “café carioca” pois é fraco e eu gosto dele forte, mas aquele, apesar de expresso estava “ao ponto”. Com o café despertei de vez e logo peguei mais um ônibus, desta vez, para a cidade de Tanguá, aonde iria me encontrar com uns amigos como disse no inicio. Fui observando novamente a paisagem da Cidade Maravilhosa e logo o ônibus começou a se distanciar do mar cada vez mais, para seguir pela BR 101. A viagem estava tranquilissima apesar do calor terrível, e eu recostei mais uma vez a poltrona para descansar o corpo e a cabeça. Coloquei novamente os fones e liguei o mp3. Fui ouvindo a mesma seleção musical que eu tinha posto no mp3 (aliás, esta é uma falha do aparelhinho) e quando chegou novamente na música de meu amigo, voltei a pensar sobre a letra como na madrugada já o tinha feito. Foi nesse momento que o ônibus entrou na cidade de Itaboraí para deixar uns passageiros e fazer também uma parada para o almoço nessa cidade, muito bonitinha, diga-se de passagem. Fui observando o movimento e olhando pela janela vi na entrada de um condomínio uma garota que estava com uma menininha linda. As duas tiravam algumas fotos juntas e pude ver nas expressões um carinho muito grande entre elas. Notadamente a criança não era filha dela, mas havia uma sintonia muito gostosa entre as duas. Fiquei olhando as meninas, admirando a bela cena, virando meu pescoço ao máximo até o ônibus se distanciar, para logo depois estacionar na rodoviária. Ao descer, perguntei ao motorista quanto tempo tínhamos e ele respondeu:
- Meia hora senhor, esta é a parada para o almoço!
Pensei então: Oba, que bom, tenho tempo! Como eu não ia mesmo almoçar ali e sim em Tanguá, tive a idéia de fazer o pequeno percurso de volta a pé até o condomínio, onde aquela linda garota ainda estava com aquela bela menina, num congraçamento muito lindo de se ver. Ao chegar, me apresentei assim meio sem jeito:
-Oi meninas, boa tarde, quer dizer, bom dia porque eu ainda não almocei!
-Oi rapaz, boa tarde, pois nós já almoçamos! (risos)
-Como é seu nome?
- Meu nome é José Roberto, mas pode me chamar de Zé Roberto mesmo.
-Ah, tudo bem menino, você é Paulista?
-Sim, sou sim menina! Como é seu nome?
-Meu nome é Tathiane, mas pode me chamar de Taty mesmo viu? Taty com ypsolon no final (risos)
-Ah, pode deixar Taty, mas e essa menininha linda, como chama?
-Ela é a Bruna... Fala oi pro tio Bruna! Fala oi Bruninha... Ih, ela está tímida hoje Zé Roberto, não ligue viu? Mas... Será que eu poderia te chamar de Zéro?
-Sem problemas Taty. Mas sabe porque eu vim até aqui? Eu estou indo pra Tanguá sabe? Vinha no caminho pensando sobre o significado da expressão “Força do Querer”, porque é o título da canção de um amigo meu que já ouvi duas vezes hoje, aí, quando o ônibus passou aqui defronte ao condomínio eu pude ver a relação de carinho entre vocês duas e senti nessa demonstração de carinho um querer muito grande. Então eu queria entender um pouco mais sobre isso. O que é a força do querer e que força tem esse querer? Vejo na relação de vocês um querer muito grande...
-Sente-se aqui Zé, ou melhor, Zero... Deixa eu te explicar ao menos do meu modo. O Querer pode ter alguns significados: Querer pode ser desejar algo ou alguma coisa, querer pode ser um sinônimo de fé também, querer pode ser ter inveja de algo ou alguém, mas também pode ser amar algo ou alguém. E já que sabemos o que é o querer, vamos entender que força tem esse querer e qual é a força desse sentimento. Bom quando desejamos algo ou alguma coisa, usamos todo o nosso pensamento e as nossas ações para tentar conseguir aquilo que queremos ou desejamos de fato, mas nem tudo é possível á nós. Nem todos os nossos quereres podem se tornar realidade, pois muitas vezes não depende somente de nós querermos, é preciso da ajuda de uma ou mais pessoas para que os nossos desejos se realizem. Muita gente se conforma com o fato de não conseguir o que desejou ou o que quis e então, parte para ter atitudes, ações e pensamentos ruins que podem levar a inveja, ao roubo, a maledicência entre outras atitudes e ações corrosivas da mente e do espírito e esse tipo de atitude só vai trazer mais negatividade ainda para a vida dessas pessoas, embora muitas delas não saibam disso. Mas existe um tipo de querer, que tem uma grande força, que qualquer um pode desejar, ter, dar e receber e que, além de não se exigir esforços para pra pô-lo em prática, faz imensamente bem a quem nós queremos e principalmente á nós mesmos, sabe qual é? É o Bem Querer! Quando bem queremos os nossos semelhantes, os amamos em toda a intensidade, passando pra eles os nossos melhores pensamentos, os nossos melhores desejos, a nossa melhor ajuda e as nossas melhores ações no sentido de ver esses nossos semelhantes cada vez melhores em suas vidas. Bem querer é amar indistintamente, é fazer o bem de forma abnegada, é dar um sorriso a quem precisa, é dar um ombro a quem quer chorar, é abraçar gostoso de forma bem apertada e ás vezes é só olhar nos olhos de nossos amigos e semelhantes para, expressar o quanto você quer bem essa pessoa. Quanto mais força de pensamento e atitude efetivamente prática você puser nesse gesto, ou nesse pensamento, mais rápido você atingirá os seus objetivos, meu querido Zero.
-Nossa Taty, estou emocionado sabe? Você acabou de me dar uma aula de amor ao próximo, uma aula de boa convivência, de como praticarmos a caridade pura e uma aula de como vibrarmos por uma vida melhor para nós e para os nossos semelhantes. Que lindo isso viu menina? Você tem a expressão de alguém que vive de bem com a vida e que com certeza está colhendo os frutos de sua bem-querência sabe?
-Não sei Zero, procuro amar muito de forma intensa cada um daqueles que me rodeiam não é Bruninha meu amor?
Nesse instante, Taty segurou a pequena Bruna e olhou bem dentro dos olhinhos dela expressando o quando a queria bem e a pequena Bruninha ao seu modo retribuiu o olhar meigo e gracioso. Continuaram a tirar lindas fotos e uma dessas lindas fotos, ilustra esse texto.
Emocionado que estava e encantado com aquela aula, esqueci do horário do meu ônibus e ao ver que estava atrasado, me despedi correndo e nem tive tempo de agradecer de forma efetiva a essa linda menina pelas lições a mim generosamente ofertadas. Tomei meu ônibus e segui viagem ao meu destino, a cidade de Tanguá. Lá chegando, eu era um homem novo, renovado e na primeira oportunidade, reuni os amigos e lhes contei sobre esta minha incrível e bela experiência. Passei cinco dias lindos ali, nas nuvens, com amigos queridos que eu, apesar de ter conhecido recentemente, me acolheram com muito amor, como se eu fosse um irmão de sangue.
Como tudo que é bom acaba, precisei voltar e dessa vez, vinha feliz, com uma alegria imensa no coração. Na primeira parada, o ônibus entrou em Itaboraí novamente, mas dessa vez para uma rápida subida de uns passageiros apenas e logo deu partida em direção a rodovia. Enquanto ele saia da rodoviária para ir novamente em direção a BR 101, eu olhei na porta do condomínio onde morava a Pequena Taty e pra minha surpresa eu a avistei no portão. Abri a janela, pus a cabeça pra fora e enquanto o ônibus se aproximava eu gritei:
-Oi Pequena Taty, me desculpe por não ter me despedido de você como devia naquele dia ta? Muito obrigado por ter me dado àquelas valiosas lições que guardarei pra sempre minha querida.
A Pequena Taty, olhando bem nos meus olhos como um olhar extremamente carinhoso, limitou-se apenas a me dizer enquanto o ônibus passava por ela:
-Meu amigo Zero, a única coisa que quero que você nunca esqueça é do quanto eu te quero bem meu amigo querido!
Então, depois dessas palavras, a Pequena Taty abriu um lindo sorriso e eu a admirei até que ela sumisse do meu raio de visão. Eu gostaria muito de ter podido responder, mas havia um nó em minha garganta que me impossibilitou de fazê-lo. O que fiz foi sentar em minha poltrona, sacar meu mp3, colocar a faixa de meu amigo e ouvir a música com lágrimas nos olhos expressando um pensamento extraído do fundo de meu coração: Obrigado Pequena Taty, eu também te quero muito bem minha linda amiga...

Esta é uma história de ficção, mas a personagem e seu bem querer são verdadeiros, assim como a música que ilustra esse texto. Taty, espero que goste desse texto que fiz falando de você porque você é uma amiga especial pois tem o bem querer como bandeira principal na sua vida. Seja sempre feliz minha amiga, você o faz por merecer, pois está colhendo o que tem plantado. Te quero muito bem viu? Você é show de bola minha linda. Beijos linda Taty, espero que não se importe de eu ter usado essa foto, mas ela é linda!

Para quem quiser ouvir a música que motivou parte desse texto (a outra obviamente é a Taty), clique no radinho abaixo e ouça.


domingo, 7 de outubro de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 40
Diário Estelar 1234567/40
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Daqui a uma hora revelo...
-Hummmmmm... Estou que não me agüento! Também, quem resiste a todas aquelas pílulas de feijoada, couve manteiga refogada, arroz soltinho, tortas, bolos e sorvetes?? O cafezinho que tomei por último foi à gota d’água que faltava! Você, só uma redinha aqui me salva agora. Ta afim Bruno? Vamos fazer uma siesta?
-Não dá Zé, tenho mil coisas pra fazer na minha nave. Revisar manuscritos, ler poesias, colocar o Solar da Poesia em dia e responder ás milhares de mensagens que me chegam todos os dias. O Concurso de poesias já está na milésima edição e cada dia fica mais concorrido. Também, com uma rede de associados de cem mil pessoas você queria o que? Era de se esperar o sucesso não é?
-Com certeza! E esse sucesso será bem maior ainda com o passar dos tempos. Mas antes de pegar uma palhinha, vou até o Auto Elétrico Espacial para fazer um orçamento de minha nave. Onde é mesmo?
-É ali Zé, depois do posto de hidrogênio, está vendo?
-Ah sim, vamos lá... Caramba, que grande aqui né?
- Lógico amigo, as naves que aportam nesse hangar são imensas e muitas vezes até o teto tem que ser aberto para que a nave caiba aqui dentro. Veja quantos trabalham aqui. E é só para a parte elétrica hein? Funilaria e pintura são em outro departamento.
-Boa tarde, em que posso ajudá-los??
-Olha este é meu amigo Zé Roberto, ele está com uns probleminhas elétricos em sua nave...
-Pois é amigo, alguns conta giros não funcionam, o contador de anos-luz está pifado, os marcadores de combustível ora funcionam ora não funcionam, algumas lâmpadas internas e externas estão pifadas e acho que o mais importante é que meu relógio digital calendário não está funcionando. Dá pra olhar isso?
-Com certeza amigo, deixe a chave da nave aqui comigo e eu mandarei meu manobrista trazer ela até aqui. Qual é seu prefixo?
É ZR001PT !
-Ah sim, anotei! Tome aqui seu ticket. Daqui à uma hora mais ou menos o orçamento estará pronto.
-Ok amigão! Voltarei depois então. Um abraço!
-Zé, pra matar o tempo, vamos pra minha nave um pouco? Você não conseguirá tirar sua pestana agora mesmo. Vou te mostrar meu acervo de livros e de escritos, pode ser?
-Simbora Bruno, será um prazer! Nossa, bacana isso aqui hein? Que decoração maneira! Você é quem fez?
-Sim, eu criei tudo sozinho! Gosto das coisas muito bem arrumadas e me faz bem estar num ambiente organizado.
-Caramba, sua bike está pendurada aqui. Porque? Porque não a deixou lá na terra?
-Bom, não deixei primeiro porque ela sempre foi a minha fiel companheira e depois quem sabe eu não encontre uma ciclovia na Via Láctea o nos Anéis de Saturno não é?
-Eita Bruno, seria o máximo né? Sem trânsito, as pedaladas seria bem mais leves e dava pra fazer o dobro das pedaladas que você daria na terra. -Sonhar é bom meu caro.....
-Pois é, sonho sempre com muitas coisas. Com isso que acabei de lhe falar, com um mundo melhor, mais fraterno, um mundo onde as pessoas se amem mais e se compreendam, um mundo onde as pessoas se unam em propósitos benéficos comuns... É uma utopia? Pode até ser, mas acho que sonhar é possível e se tiverem duas pessoas pensando igual ao mesmo tempo, o sonho pode acontecer. Não é o Raul Seixas que cantava: “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”?
-Sim, ele mesmo Bruno!
-Pois então....
-Eu também penso assim amigo e sempre que posso, luto para conseguir “converter” alguém para o meu lado.
-E como você faz isso Zé Roberto?
-Com meu exemplo Bruno! Procuro ser uma só pessoa e não duas entende? Assim, assimilo só coisas boas, tenho grandes amigos e estou sempre bem. As pessoas cruzam comigo e me dizem: Nossa, você está ótimo! um alto astral hein? Como consegue? Então lhes respondo para serem como eu. Amarem mais, viverem mais a vida. Ensino a darem mais valor as pequenas coisas e a cultivar as amizades, mantendo elas sempre perto de você. Isso tem dado certo Bruno. É uma doutrinação espontânea!
-Beleza Zé Roberto, gostei de ver! Bom, chegamos até meu cantinho preferido, a Praça da Poesia!
-Que lindo lugar.... Estou maravilhado!
-Você ainda não viu nada amigo! Venha aqui que eu vou lhe mostrar...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Este desenho nos faz ter vontade de voltarmos a ser crianças! Á benção Toquinho! Sensacional!!! Curtam e se emocionem. Beijos á todos!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O BELO SORRISO DA CLARA MANHÃ DE CLARINHA

O Outono se encaminhava para a metade da estação e aquele friozinho que eu tanto gosto já me fazia sentir aquela vontade de estar ao pé de uma lareira com uma caneca de chocolate quente em uma casa aconchegante, mas eu me encontrava só, perdido em muitos pensamentos sentado no banco de uma linda praça de uma tranqüila cidadezinha litorânea. Embora eu estivesse á beira mar, o movimento era bem pouco na praça, na orla marítima e dentro do mar por causa do friozinho que se fazia presente. A praça era bem cuidada e estava com canteiros bonitos recheados de belas flores que estranhamente pareciam estar se adiantando á primavera e que traziam estampadas em suas pétalas, cores vivas e variadas que faziam muito bem aos meus olhos. E eu fiquei ali observando toda aquela generosa natureza criada por Deus que nos ofertou a fim de que elas, as flores, enfeitassem nossas vidas e trouxessem mais perfume aos nossos ambientes não só internos como externos. Na praça também havia frondosas árvores frutíferas que alimentavam centenas de aves que se saciavam com os frutos que pendiam nos galhos e ao mesmo tempo recolhiam o alimento necessário para suas crias que também estavam se abrigando em ninhos alojados nos galhos dessas árvores lindas. A sincronia da natureza em comunhão com o tempo ameno e fresco fazia com que meu pensamento se distraísse um pouco, tornando minha mente mais tranqüila e serena. E assim, por muito tempo fiquei olhando fixamente as árvores, os pássaros e o movimento no entorno dessa bela praça que conseguia me entreter sobre maneira e isso fez com que o tempo passasse de uma forma tão rápida que quando eu me dei conta, a noite já chegava, trazendo as primeiras estrelas. Então me deitei no banco da praça, fixei meus olhos no céu e comecei a contar uma por uma das estrelas do céu, das menores as maiores, das menos brilhantes as mais reluzentes.
Quando eu atingia a marca de 200 estrelas percebo que alguém está ao lado de meu banco em pé. É uma linda menina, morena, que trazia nos lábios um belo sorriso natural e que me olhava com muito carinho. Levantei-me rapidamente me desculpando por ali estar enquanto ela poderia estar querendo sentar, mas ela fazendo um gesto para que eu não me levantasse me disse:
- Fique á vontade meu querido, faz tempo que te observo e percebo que você está viajando em seus pensamentos de uma forma tão compenetrada que não quis te incomodar.
-Não, você não incomoda não minha linda, sente-se e vamos conversar um pouco. Eu estava mesmo querendo conversar...
- Que bom, também adoro conversar e me parece que você não está muito bem, por isso, ao invés de eu me sentar com você, eu o convido para que venha comigo andar pela areia da praia e então conversaremos.
- Boa idéia eu disse, vamos sim!
Então adentramos a areia da praia, fomos até aonde a onda terminava de espalhar a água do mar, tiramos nossos calçados e começamos a andar bem devagar, a principio em silêncio ouvindo o som do quebrar das ondas. Foi quando essa linda menina pegou em minha mão e caminhando de mãos dadas comigo me perguntou:
- O que te aflige meu amigo? Sua expressão me parece um pouco triste, séria. Não gostaria de ver essa expressão em seu semblante. Você gostaria de se abrir comigo?
- Ah menina, eu disse, estou bem... Minha expressão é esta mesmo sabe? Eu não sei sorrir...
- Como não? Todos nós sabemos sorrir de alguma maneira meu lindo!
- Eu não sei não menina. Vejo as fotos de muitas pessoas com aqueles lindos sorrisos e eu me entristeço porque embora tente, não consigo esboçar o menor sorriso, mesmo um sorriso plástico, falso, amarelo.
- Ah o que é isso meu lindo. Não diga isso! Deixa eu te contar uma coisa. Vamos nos sentar aqui na beira mar?
- Sim, vamos menina...
Sentamos na areia da praia num lugar aonde as ondas quase chegavam aos nossos pés e então a linda menina virou-se para mim com um olhar doce e terno e começou a me contar uma história:
- Outro dia, uma grande amiga me falou: Olha, gostaria muito de poder abrir-lhe meu maior sorriso, mas infelizmente não posso, porque estou com uma pequena falha em meus dentes e tenho vergonha. Então eu lhe disse: Deixe disso amiga, qual é o problema? Fique tranqüila! E disse a verdade a ela, afinal, para se ter e dar um belo sorriso não é preciso que tenhamos uma boa dentição, e sim, que coloquemos para fora os nossos melhores sentimentos em relação á pessoa a quem dirigimos nossos sorrisos. Um belo sorriso, sempre traz em seu gesto, amor, carinho, amizade, força, vibração positiva, amparo e principalmente sinceridade. Quando dirigimos nosso melhor sorriso a alguém, mostramos a essa pessoa que estamos sendo afetuosos estamos sendo sinceros com ela, estamos dizendo que a amamos, que a compreendemos, estamos dizendo que achamos que ela pode seguir em frente, que damos apoio a ela em algo, e enfim, estamos dizendo com os lábios que ela pode confiar plenamente em nós sempre. Mas aí alguém poderia me perguntar meu lindo: Mas e os sorrisos irônicos e falsos, como é que ficam nessa? Respondo facilmente: Não ficam em lugar nenhum, pois os sorrisos falsos, irônicos ou plásticos, se desfazem em questão de segundos, porque não se sustentam, são frágeis e voláteis, ao contrário dos verdadeiros sorrisos que ficam para sempre estampados na face de nosso espírito, ornamentando um rosto angelical que a eternidade tratará de perpetuar para todo o sempre e que será sempre belo. Sabe, um dia um amigo me contou uma história (fictícia, é claro) de um ateu convicto que viveu a sua vida a fazer a caridade para com seus semelhantes sem nunca ter acreditado em Deus. Quando morreu, foi para o céu e lá foi recepcionado por anjos que o carregaram e o passaram na frente de muitos beatos, que viveram a vida terrena inteira rezando a Deus, sem nunca ter dado um donativo sequer para seu semelhante.
Então, relembrando essa história, meu lindo, me pus a pensar: Quantos desdentados por aí não abrem seus melhores sorrisos para seus semelhantes, ao contrário de muitos portadores de dentes de ouro que fecham ou viram suas caras para nós não é mesmo? Por isso, digo não só a você, meu lindo amigo, mas digo sempre a todos os que eu encontrar por onde eu passar: Abram sempre seus melhores sorrisos a todos os que cruzarem vossos caminhos, mesmo que vocês não tenham um só dente na boca e extraiam esses sorrisos de vossos corações, e antes de abri-los, mentalizem o seguinte: Amigo, abro para você o meu melhor sorriso, extraído de meu coração puro e generoso e ele virá recheado com as minhas melhores vibrações e intenções, extraídas por sua vez de minha mente. E eu dirijo a você esse sorriso, como prova de amor, sinceridade, confiança e amizade. Entendeu meu amigo? Captou a essência do que eu disse?
- Sim, captei sim menina... Que lindo isso! Nossa, estou radiante com o que você disse eu disse. Isso me fez um bem danado, eu disse, olhando bem nos olhos dela.
Aí com aquele sorriso angelical e o olhar mais doce do mundo ela disse:
- Então você já sabe meu lindo! Ao cruzar comigo, quero o seu melhor sorriso e desejo que este sorriso possa se perpetuar em seu rosto, como um belo quadro eterno e valioso de um grande pintor. Que esse seu sorriso possa ser um exemplo para todos e que ele possa contagiar os que estiverem ao seu lado tristes e cabisbaixos. Saiba que seu sorriso tem uma força imensa e traz embutido nele uma grande concentração de amor que você não deverá guardar para si, mas externar e distribuir aos seus semelhantes num grande gesto de caridade. Sorria para mim agora, vamos ver esse belo sorriso!
Depois de tudo o que ela me disse, me virei novamente e olhando bem em seus olhos, abri imediatamente um grande e belo sorriso que nunca mais se apagou de meu rosto. Ao ver meu sorriso ela disse carinhosamente para mim:
- Agora deite na areia, olhe para o céu e continue a contar suas estrelas, pois vai enxergá-las de forma diferente, pode acreditar. Em que numero você tinha parado mesmo? Continue a admirar toda a natureza que eu vou indo agora. Preciso partir, mas você ficará bem, tenho certeza.
Então eu a abracei ternamente agradecendo a ela não com a voz, mas com o coração ao mesmo tempo em que ela, segurando com suas duas mãos meu rosto, beijou-me a fronte num gesto lindo de amizade. Enquanto ela se levantava a começava a se distanciar de mim, me deitei feliz da vida para recomeçar a contar minhas cintilantes estrelinhas, mas nesse momento me deu um estalo e eu me levantei falando para ela:
- Hei menina linda, você que me ajudou tanto e a quem, tanto agradeço, me esqueci de perguntar: Qual é o seu nome meu anjo?
Aí ela parou de caminhar, virou-se para mim e com aquele terno sorriso me disse mansamente:
- Quer saber meu nome meu lindo?
Eu disse: - Sim, eu quero linda!
Ela então se virou novamente, recomeçou a andar e me disse enquanto seguia enfrente:
- Meu nome? Meu nome é Clara, mas pode me chamar de Clarinha meu lindo...
Disse isso e se afastou, sumindo na escuridão das areias da praia. Eu por minha vez fiquei deitado na areia da praia feliz da vida contando milhões de estrelas até esperar o dia clarear, trazendo o raiar de uma manhã que eu batizei de “A Clara manhã de Clarinha”.

Este texto é dedicado a uma linda e amada amada amiga que tive o prazer de conhecer no Orkut e que saiu da tela do computador para se instalar em meu coração. Beijos minha amiga, obrigado pelo seu carinho de sempre.