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sábado, 11 de agosto de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 14
Diário Estelar 1234567/14
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
Sem chance... O sinal se perdeu novamente. Minha antena deve estar avariada, só pode ser. Essa nave aqui precisa passar por uma manutenção urgente. Aliás, não é só a nave não. Meu cérebro também está precisando de uma manutenção, porque estou batendo pinos. Acho que vou dar um pulo lá fora depois e vou por um Bom Brill na antena pra ver se melhora a recepção do sinal. Com as antigas tvs do século XX funcionava ás vezes e quem sabe aqui também funcione. Mas espere... Onde vou achar um pedaço Bom Brill? Engraçado, aqui no espaço ondas de rádio percorrem anos luz, viajando pelo espaço a uma velocidade inimaginável e qualquer onda sonora pode se perder no infinito. Nos séculos XX e XXI o homem lá na terra enviava seus sinais para o espaço, almejando encontrar civilizações em outros planetas. Uma nave chamada Voyager foi lançada pelo governo de um país do Planeta Terra chamado Estados Unidos, para percorrer o espaço até se perder no infinito, tentando um contato com alguém ou alguma coisa. Muito se discutia a respeito de se haver ou não outros planetas habitados. Ufos, Óvnis e demais manifestações extraterrestres povoavam o imaginário e as manchetes de revistas e jornais por vezes traziam estampadas relatos de avistamentos de naves e relatos de pessoas que tinham sido abduzidas por alienígenas. Céticos e ufólogos se debatiam em longos debates e questionamentos sem fim. Eu sempre pensei: Porque Deus, em sua perfeição, criaria apenas um planeta habitado nesse infinito todo? É, eu estava certo! Gostaria de encontrar por aqui alguns daqueles que duvidavam de tudo isto que eu estou vendo aqui. Lua, Marte... Tudo muito perto. O Telescópio Hubble, criação Americana também tem pouco alcance perto dessa lonjura eu estou, por isso nunca encontraram nada e alguns viajantes espaciais chegaram na terra ou pra explorar ou pra tentar se encontrar mesmo. Hoje, as “Interprises modernas” idealizadas nos idos anos 60, Século XX por Gene Roddenberry, relatando a saga de Capitão Kirk, Spock e demais tripulantes são muito mais rápidas, viajam o triplo da velocidade do som e se teletransportam para onde querem. Putz, mas quem serei eu nesse universo? Sou um viajante perdido no firmamento sem sequer um pedaço de Bom Brill para por na antena da nave pra ver se consigo uma melhor recepção. Ô vida dura essa viu? Deixa eu pegar mais uma pílula de café...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 13
Diário Estelar 1234567/13
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
Estou de volta a ponte de comando. Passei a mão em umas pílulas de pizza e um refrigerante espacial e vou almoçar ao mesmo tempo em que leio meu livro. Ah tem uma coisa interessante sobre os refrigerantes espaciais. A impressão que eu tenho é a de que os gases não escapam nunca e que esse refrigerante está sempre perfeito. Não posso deixar também de lembrar agora de minha infância super pobre. Nós não tínhamos dinheiro pra comprar uma Coca-Cola que era um luxo para nós e comprávamos um refrigerante chamado Tubaína. Olha, como era gostoso quando tinha Tubaína! Eu pegava a garrafa que era escura, e virava de pouquinho no copo e sorvia com cuidado, devagarzinho, pouco a pouco e fechava os olhos cada vez que virava um pouco do refrigerante no copo, pensando: Tomara que ainda tenha bastante e que não acabe nunca! Mas não tinha não, era só aquela quantidade mesmo!! Acabava rapidinho e então só no próximo mês comprávamos nova garrafa. Êta mês demorado pra chegar...
Na Solidão de Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Márquez encontro o alento necessário para seguir admirando toda essa imensidão sem entrar em desespero, embora esse desespero às vezes esteja batendo a minha porta. E como falei em alguma das páginas atrás desse diário, preciso tomar uma decisão importantíssima nessas semanas que vem e acredito que isso possa fazer com que eu consiga encontrar as coordenadas da rota que tenho que fazer, encontrando o quadrante que me leve de volta para casa. Alguns viajantes solitários poderiam passar por mim para me ajudar em algumas das coordenadas que pretendo recuperar, mas este é um caminho que tenho que encontrar sozinho. É uma batalha minha, pessoal e intransferível e o real suporte para que eu consiga encontrar de volta meu caminho só se dará o dia e que eu encontrar a nave mãe. Essa será a.... Esperem... Não acredito! Vixe Santa Maria!!! Sinais no rádio!! sinais!! sinais!!! sinais!! Minhas preces foram ouvidas! Sinais!!! Mayday! Mayday! Mayday!, aqui é a nave ZR001PT, Zé Roberto no comando, respondam! Mayday! Mayday!. Respondam por favor...Nave ZR001PT, aqui é Nave Mãe na escuta. Passe-me suas coordenadas por favor.Coordenadas? Ah meu Deus, se eu soubesse eu não estaria perdido. Mas deixa-me ver... Creio que estou próximo do planeta Plutão, pois a escuridão aqui é grande. As noites são intermináveis e a luz do Sol demora muito a chegar aqui o que me leva a crer que eu estou muito longe de vocês que devem estar sobrevoando o orbe terrestre. Espere ZR001PT, aguarde contato, pois nós não estamos conseguindo localizar você. Estamos com problemas de sinal... Caramba Nave Mãe, o sinal está muito fraco... Você está distante...Nave Mãe? Nave Mãe? Cadê você? O sinal está fraco. Responda por favor... Minha Nossa Senhora, preciso recuperar o sinal urgente e fazer com que minha nave se aproxime novamente da Nave Mãe, mas o que fazer? Não sei, mas preciso pensar rápido...
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DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 12
Diário Estelar 1234567/12
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
Me sinto cansado...
Trabalhei como um louco nesta arrumação que meu corpo todo dói e uma estafa ronda meu cérebro. Mas foi bom poder encontrar guardados, textos antigos, fotos de familiares, amigos e das inúmeras viagens que fiz ainda no orbe terrestre. Grandes recordações ou como diria meu grande amigo Max Gasperazzo “Big Moments”. Talvez essas recordações é que tenham mexido comigo, porque foram muitas experiências maravilhosas, muitos momentos memoráveis que gostaria que eles nunca tivessem terminado.. Me lembro agora que quando arrumava minhas malas para enfrentar essa viagem, eu me senti extremamente emocionado ao recolher de minhas gavetas esses guardados que para mim são como pedras preciosas, brilhando no firmamento de minha vida. Todas as minhas recordações são boas, mesmo aquelas em que passei por dissabores e tribulações, pois acredito sincera e piamente que os obstáculos são provas colocadas em nosso caminho para nos testar, para que Deus possa saber até onde vai a nossa fé, a nossa determinação e a nossa perseverança em vencer as adversidades. E creio ainda que de todas as adversidades ou de todas as lombadas de nossas vidas , sempre tiramos uma lição, um motivo a mais para não errar-mos mais uma vez, experiências que serão importantíssimas para que possamos dar no futuro passos firmes e decididos. E eu penso também agora mesmo: será que eu estou conseguindo transpor com eficiência essas barreiras? Será que o chassis do carro de minha alma, de meu espírito não estaria “raspando” nessas lombadas? Se está raspando é porque devo estar pesado e esse peso, não é dificil de perder. Basta cortar algumas arestas, jogar fora o “lastro” que não me serve e deve Ter muita coisa aqui que não me serve mais. Reorganizar a vida, reorganizar a alma, reorganizar o coração... Puxa vida, agora me lembrei de algo muito importante. Passei a manhã inteira trabalhando que nem um louco para reorganizar todos os meus pertences e acabei me esquecendo de reorganizar meu coração, que ainda está confuso, batendo descompassado numa grave arritmia e me esqueci também de reorganizar minha mente, ainda perturbada pelo medo do incerto, pela insegurança do porvir, uma mente que se pergunta o tempo todo se esta viagem terá um final feliz ou se acabará. Não sei nem o que pensar, mas de uma coisa tenho a certeza. Vou lutar com todas as minhas forças para desviar a minha nave da rota de algum desses buracos negros existentes nessa imensidão.Êpa, mas que baixo astral é esse? Vou sair daqui. Vou até a ponte de comando reler o meu Gabriel Garcia Marquez que ganho mais. Quem sabe meu gravador de bordo não tenha gravado algum sinal vindo de algum lugar não é? Vou lá agora mesmo e se Deus quiser alguma coisa vai pintar...
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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPITULO 11
Diário Estelar 1234567/11
Sistema solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
Como é bom ouvir música! Acho que o mundo seria tão triste sem ela. Salve os grandes compositores que trouxeram todas as melodias para o nosso deleite e os poetas também que nos brindam com poesias maravilhosas. Sempre tive vontade de escrever poesias, mas nunca consegui realizar o meu intento de escreve-las como deveriam ser escritas. Quem sabe agora, nesta solidão sem fim eu não consiga escrever algo? Acho que vou tentar uma hora dessas. Esse cd do Zé Ramalho que está tocando é muito bom, acho uma obra prima. Vou ouvir de novo Xote dos Poetas, que é talvez a minha música preferida do Zé Ramalho. Que beleza!!! Lindo isso! Fico pensando em tudo o que está lá em meu mundo, tão longe de mim e isso me dá, além da saudade, uma vontade danada de procurar logo a saída de tudo isto aqui . Preciso achar meu caminho de volta pra casa, encontrar o sentimento perdido, retomar meu rumo...Agora achei outro cd. Tô Zerado, do Cantor e Compositor Zé Geraldo. Acho que já falei sobre ele aqui neste diário não é? Eu tinha até um fã clube dele na terra. Uma grande figura, um poeta de mão cheia e um grande amigo também. Vou ouvir Coração de Rei, que é uma de minhas preferidas e que me traz grandes e belas recordações. Estou realmente emocionado e acho que ouvir essa música agora só me fez ficar um pouco mais triste, porque a saudade bate forte, quando relembro o motivo deu gostar tanto desta música. Acho que queria agora ter um copinho de Sundae para ouvir esse som. Ficaria perfeito o casamento! Mas nem geladeira nem sorvete tenho aqui. Quem sabe o Sr. Ronald já não tenha instalado um Mac em alguma nebulosa não é? Tomara...Agora que encontrei meu Discman, ele será meu companheiro durante esta viagem e vou ouvir repetidamente estes cds até enjoar ou até acabar as pilhas que eu tenho aqui. Deixe-me ver quantos cds tenho. 10! É um bom número, dá pra me divertir um pouquinho. Ôba, começou a tocar Pinel. Aliás não poderia haver tema mais apropriado para a ocasião. Não sei se vocês repararam, mas apesar deste relatório que faço se chamar Diário, ele as vezes é datado com datas iguais e não é escrito dia-a-dia, mas isto tem uma explicação. É porque vou colocando aqui minhas impressões a medida que elas ocorrem e de certa forma, acho que estou escrevendo meio que compulsivamente. Sabe aqueles mendigos que você vê nas ruas e que estão há muito tempo sós? Eles não falam sozinhos sem parar? Pois é, eu estou meio nessa situação, só que ao invés de falar sozinho eu escrevo compulsivamente. Este Diário Estelar por exemplo, era pra ser uma narrativa na primeira pessoa, e eu até que comecei a escreve-lo assim, mas agora converso com leitores imaginários, como se eu estivesse numa “prosa” com vários amigos. Será o início de uma loucura? Dizem que uma longa permanência no espaço produz efeitos sobre a mente que muitas vezes são irreversíveis. Oxalá isso não aconteça comigo. Quero me manter lúcido, pois se não for assim, nunca mais voltarei ao meu ponto de origem. Mas de certa forma, um dia alguém achará esse diário e então saberá um pouco da minha história. Quem sabe algum trechinho não sirva ao leitor ou aos leitores como uma experiência de vida? Bom, vou almoçar agora. Estou com uma fome danada. Quem sabe eu não tenha umas pílulas de pizza? Sou fanático por pizza!! Vamos ver se tenho... Hummmm... Não tenho não, mas acho que vou comer qualquer coisa mesmo, já que a fome agora bateu forte e depois do almoço tenho umas decisões importantes a tomar que podem mudar o rumo de minha viagem...
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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 10
Diário estelar 1234567/10
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
Ainda bem que aqui não tem aquela poeira toda que tem lá embaixo, porque senão estaria perdido, mas assim mesmo tem um pouco. Eu não sei de onde ela vem. Seria a poeira das estrelas? Impossível, pois essa poeira não penetra em lugar nenhum. Devo ter trazido ela nessas coisas que estão aqui e que escaparam a limpeza que fiz quando embarquei. Papéis velhos, peças inúteis e obsoletas, roupas que não me servem mais...Ôpa, livros! Deixa-me ver... Nossa, meus livros espíritas... Minha Bíblia...Os sonhos não envelhecem.. Puxa esse livro é emocionante e conta a história de um movimento musical acontecido no Brasil no ano de 1.970, Século XX e que se chamava Clube da Esquina e foi escrito por um grande compositor chamado Márcio Borges.. Nossa tem mais, deixa-me ver...Cem anos de Solidão, Gabriel Garcia Marquez! Lindo livro Foi um presente de uma grande amiga do Brasil, a Sol! Tem até uma dedicatória. Vou guardar para sempre com carinho. Olha outro aqui que foi presente. Dicionário do dialeto Caipiracicabano. Esse é legal, pois traz a tradução de algumas palavras e expressões que eram utilizadas pelos Piracicabanos. Não sabem o que são Piracicabanos? Os Piracicabanos são um povo da cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, um povo bastante acolhedor e carinhoso. Aliás, esse livro me foi me dado de presente por uma carinhosa amiga, a Rita, que era moradora de Piracicaba, uma cidade encravada no interior do Estado de São Paulo que é um estado do Brasil lá no planeta terra e trás um apanhado do dialeto de povo de lá. Estou vendo que aqui também tenho os livros de um grande amigo, o Poeta e Cronista, Jornalista e Compositor Tavares Dias, grande figura humana e um amigo eterno que é morador de um outro estado brasileiro, o Espírito Santo, aliás, uma pessoa de luz como o Tavares não poderia ser de outro estado. Onde estaria agora o Tavares? Pela lei natural da vida, neste futuro ele deve estar em alguma estrela. Mas, esteja onde estiver, acredito que esteja muito bem. Quanta saudade! Bom, acho que meus livros devem estar todos aqui e vou arrumá-los direitinho. Mas deve estar faltando um. Deixa-me ver... Ah, aqui está! A História de Beatriz!! Um dos livros que eu escrevi quando estava na terra e o único que guardei. Uma história fascinante, mas triste ao mesmo tempo. Foi difícil escrever este livro! Demorei um pouco, porque em vários capítulos a emoção fez com que eu parasse de escrever. Eu não conseguia passar para o papel tudo aquilo que eu sentia e não conseguia descrever com todas as letras a verdadeira essência da história, porque como disse, a história por vezes é muito angustiante. Mas por vezes também é alegre e recheada de amor. Onde andará Beatriz, minha musa inspiradora nesse livro? Puxa, quantas recordações maravilhosas! Estou emocionado de verdade. Que saudade de Beatriz!!! Desejo que ela esteja super bem hoje, esteja ela onde estiver. Mas vou continuar aqui a minha lida, pois se eu ficar com recordações desse naipe vou baixar meu astral e então ficará ainda mais difícil continuar essa viagem solitária. Estou vendo que tenho aqui umas fotos antigas, uns recortes de jornal impressos do século XX, disquetes de computador que há muitos e muitos anos não se usam mais e que vocês talvez nem saibam o que sejam esses tais disquetes que eram usados para se gravares dados de computador. Tem também umas pilhas de rádio, um fone de ouvido e...Achei meu Discman! Puxa, velho e empoeirado mas está aqui! Vou por umas pilha dentro dele, se é que elas estão ainda com carga. Tem um cd aqui dentro, deixa eu ver se toca. Ligou!! Vou aumentar o volume:
“Não admito que me fale assim
Eu sou o seu décimo-sexto pai
Sou primogênito do teu avô, primeiro curandeiro
Alcoviteiro das mulheres que corriam sob o teu nariz
Me deves respeito, pelo menos dinheiro
Ele é o cometa fulgurante que espatifou
Um asteróide pequeno que todos chamam de terra
Um asteróide pequeno que todos chamam de terra...”
Puxa, essa música é velha hein? Kryptônia de Zé Ramalho, cantor e compositor do estado da Paraíba no Brasil. Tinha o apelido de profeta. Será? Seja lá como for, espero que a previsão dele esteja errada e que o cometa fulgurante nunca se espatife, porque tem bilhões de pessoas montados na cauda dele a essas alturas e eu espero voltar a ser um deles. Acho que vou me sentar um pouco aqui para matar a saudade de uma boa música e vou aproveitar para descansar um pouco...
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terça-feira, 7 de agosto de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPÍTULO 9
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Diário Estelar 1234567/9
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
A vantagem de você ser um astronauta e viver no espaço é que depois de tomar o café, almoçar ou jantar, você não precisa lavar nem enxugar a louça, o que é um saco na minha opinião. Eu acabo de tomar meu café e está tudo limpo e organizadinho aqui na minha dispensa. Vou me sentar um pouco aqui na poltrona aqui da ponte de comando para observar mais uma vez o firmamento e meditar um pouco...
Sabem, se um dia esta nave for encontrada vazia, espatifada em algum lugar e este Diário for encontrado, com certeza, se procurarem pela área por perto, encontrarão também meu coração, porque os dois andam sempre juntos, são companheiros inseparáveis que se consolam, que se amparam e que fazem com que tudo possa ter sentido, mesmo quando as coisas estão confusas como agora. Sempre amei demais os meus amigos e me dediquei ao máximo por todos eles e este coração que agora pulsa solitário neste vazio, está repleto deles, amigos queridos que me completam, que me fazem acreditar que podemos mudar o mundo e a nossa existência. E se algum deles se torna distante, sofremos em demasia, nos amarguramos, ficamos com uma saudade enorme e às vezes até nos chateamos, mas o lugarzinho deles está sempre ali, reservadinho e nunca vai ser utilizado por outra pessoa. Ás vezes eu acho que que amo demais os meus amigos e a dedicação faz com que eu os queira sempre presentes e ativos, o que muitas vezes é impossível. Mas creio que alguns desses amigos sabem que sou assim, meio cabeça dura e tenho a certeza de que eles devem saber que eu os amo profundamente e que meu carinho por eles será eterno. Um amor sem limites como é infinito o universo. Que Deus abençoe todos os meus amigos! Sinto vontade de chorar agora, um nó na garganta faz com que meus olhos fiquem marejados e querendo fazer brotar lágrimas sentidas e emocionadas. Vou ter que fazer algo, senão vou pirar... Acho que vou fazer uma faxina aqui na nave, e quem sabe eu não descontraia um pouco realizando alguma tarefa. Preciso fazer uma faxina não só aqui na nave, mas também em meu interior, fazendo com que algumas arestas sejam aparadas. Quando eu estava na terra, estudava a Doutrina Espírita de Allan Kardec e na doutrina, a prática de se fazer essa faxina interna se chamava “Reforma Íntima”. Seres em evolução que somos temos a necessidade de fazermos essa reforma íntima e sem isso, nunca cresceremos moralmente, nunca evoluíremos espiritualmente como deveríamos evoluir. As vezes essa tomada de consciência é lenta e demorada, mas sinto que estou dando o meu primeiro passo, o que é extremamente importante para mim nesta minha caminhada evolutiva. Então, o que esperar? Mãos á obra Zé Roberto!! Coloque o guarda pó espiritual e comece logo essa limpeza!! Bom, mas vamos começar pela limpeza material que a espiritual vou fazendo aos poucos. Deixa eu subir aqui no porão... Nossa, quanta tranqueira! É lixo que não acaba mais. Deixa-me ver... Caramba, nem sei por onde começar..

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

DIÁRIO ESTELAR - CAPITULO 8
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Diário Estelar 1234567/8
Sistema Solar: Desconhecido
Dia/Mês/Ano e Hora: Incertos
Meu sono, que deveria ser reparador, foi turbulento, como um avião que percorre o espaço aéreo em uma extrema tempestade, ou como um barco a remo que percorre um maremoto, singrando uma Tsunami. Tive um pesadelo que não desejo para o meu pior inimigo e acredito que tive somente mais ou menos 2 horas de sono corrido. O resto de minha “noite”, foi intercalado por uma insônia super estranha, onde você está morrendo de sono mas não consegue dormir. Será que alguém no mundo já passou por isso? Duvido! Acho que essa experiência foi única, muito pessoal mesmo e um reflexo de tudo o que eu passei na noite anterior. Pensei em tomar um calmante, mas não tenho nenhum remédio a bordo, porque quando fiz o curso de astronauta, passei por uma bateria de exames que mostraram que eu estava estava muito bem e daí não trouxe sequer um comprimido para dor de cabeça, quanto mais um calmante. Então a minha única alternativa foi rolar de um lado para outro em minha cama, numa agonia sem fim. O silêncio do firmamento e a nave desligada, funcionando apenas com o piloto automático, fez com que aumentasse mais e mais essa minha agonia e em determinado momento, cheguei a pensar que se eu colocasse minha roupa espacial e saísse pela escotilha da nave, dando umas voltas no vazio, poderia relaxar. Dar voltas no vazio? Ah meu Deus, que bobagem! Dar voltas no vazio é tudo o que eu tenho feito até agora.Vou tomar meu café e de repente posso me descontrair. Um banho agora seria ótimo! Uma banheira de hidromassagem tipo daquelas pré-históricas Jacuzzis, espuma na água, óleos aromáticos balsamisantes. Huummmm... que delicia seria! Mas aqui a coisa é diferente e não dá pra ter essas mordomias todas. Vou tomar meu café e depois vou tentar achar o que fazer. Quem sabe não começo a escrever minha biografia? Ou minhas memórias? Quem sabe umas poesias? Me lembro com saudade da época que eu escrevia pra publicar na internet, numa rede de comunidades chamada 1Grau e depois num troço chamado Orkut. Acho que era o ano de 2004 ou 2005 se eu não me engano. A comunidade se chamava Espaço da Escrita e lá colocava todas as minhas poesias, crônicas, e textos diversos. Bons tempos aqueles! Bom, deixa eu tomar meu café... Pílulas frias e sonsas! Aaaaarrrgghh!!! Incrível, esta pílula de café está um pouco amarga hoje. Será que ela também está impregnada deste meu estado de espírito? Quem sabe? Mas deixa pra lá... Vou me alimentar, pois como se diz por aí, saco vazio não para em pé, não é? Assim que tomar meu café, vou a sala de reuniões e quem sabe eu não escreva mesmo alguma coisa. Talvez eu fique refletindo sobre tudo o que eu passei. Quem sabe eu não acabe traçando planos para o futuro? Ah sim, me lembrei: Preciso procurar aquele antigo Discman, pois eu sei que eu tenho ele guardado em algum lugar, assim como alguns cds, Mas aí já é uma outra história...
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